O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 08/08/2020

No livro “Dom Casmurro”, do escritor carioca Machado de Assis, o personagem Bentinho conta episódios marcantes da sua vida. Desse modo, Bentinho relata a morte precoce de seu filho, vítima de tifo, ilustrando o poder de certas pragas no século XIX, quando a obra foi escrita. Nesse sentido, necessita-se considerar que com o avanço da microbiologia, principalmente no século XX, doenças como a febre tifoide foram reduzidas drasticamente no mundo, devido a descoberta de vacinas e tratamentos mais modernos. Todavia, o Brasil tem apresentado um panorama divergente ao global, com a ressurreição de doenças já erradicas. Por conta disso, faz-se importante salientar dois fatores que contribuem para esses reaparecimentos: o preconceito histórico contra vacinação e tratamentos na nação e, além disso, a falta de medidas preventivas por parte da população.

Mormente, deve-se expor o altíssimo número de casos de sarampo no Brasil, enfermidade que possui vacina desde a década de 1960: 13,5 mil casos no ano de 2019, segundo o G1. Sob esse prisma, frisa-se que o preconceito histórico contra imunizações (tal como ocorreu no episódio denominado como Revolta da Vacina, vigente no Rio de Janeiro nonocentista, em que parte da população atacou médicos e sanitarista que apenas desejavam protegê-la) contribui para que moléstias ganhem força no país. À vista disso, a frase célebre do filósofo francês Voltaire, “O preconceito é uma ideia que ainda não passou pelo tribunal da razão.”, evidencia como essas ideias estão equivocadas. Assim, qualquer prejulgamento acerca de vacinações e afins precisam ser erradicados do país, para que haja cada vez menos enfermos no território nacional.

Ademais,  a falta de medidas profiláticas por grande parte dos cidadãos contribui muito para o reaparecimento de doenças já erradicas. Nesse espectro, obras literárias como “O Cortiço”, desenvolvida por Aluísio Azevedo, em que habitantes de uma moradia coletiva vivem em um ambiente insalubre, situação típica de muitas cidades pátrias, representam como regiões brasileiras não praticam ações sanitárias mínimas para um convívio harmônico. Destarte, urgem-se políticas públicas que introduzam medidas preventivas dentro dos lares brasileiros, para que menos pessoas fiquem doentes.

À luz dessas perspectivas, torna-se indubitável que o problema central de ressurgimento de diversos males no país é a falta de instrução por parte da população. Dessa forma, cabe ao Estado decretar que todas as rádios e emissoras de televisão brasileiras destinarão 2 minutos por dia para que o Ministério da Saúde conscientize a população acerca de precauções que combatam diversas patologias, que deve variar de região em região no país. Dessarte, a população não padecerá de males que já possuem cura, e não perderão entes queridos precocemente, tal como o protagonista machadiano.