O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 08/08/2020
No passado, o Brasil vivenciou graves epidemias, superadas graças ao empenho de sanitaristas como Oswaldo Cruz e ferramentas de vacinação. Em que pese o avanço do século passado na tecnologia de vacinas, doenças consideradas erradicadas, a exemplo do sarampo, têm reaparecido no país. Decerto, as acentuadas desigualdades sociais e a precarização do meio científico são fatores agravantes desse problema. Por consequência, coloca-se em risco a vida da população, com doenças que já possuem meios de contenção.
A princípio, cabe destacar que a Constituição Federal dispõe sobre a garantia do acesso à saúde, mediante políticas públicas universais que visem sua promoção. No entanto, a realidade nacional destoa desse direito, visto que populações carentes não possuem sequer acesso ao tratamento de água e esgoto ou acompanhamento médico adequado na primeira infância. Por isso, doenças já erradicadas, tais como cólera e poliomielite, têm ressurgido, devido à falta de saneamento e vacinação, respectivamente.
Em segundo plano, enfatiza-se a relevância do meio científico no combate à insurgência de enfermidades erradicadas e sua injusta desvalorização, a exemplo do corte de bolsas de incentivo pelo atual governo. Certamente, tal cenário possui precedentes históricos, como a decapitação do químico Lavoisier, sob a afirmação de que “a França não precisa de cientistas”. Ocorre que, a intensa industrialização tem causado mudanças climáticas e a globalização tem gerado um forte fluxo de pessoas entre países, o que contribui à propagação de vetores e ao tráfego de doenças. Desse modo, a autonomia científica no Brasil é essencial à contenção, em tempo hábil, do reaparecimento de doenças nacionalmente erradicadas.
Pelo exposto, é evidente que as desigualdades sociais e a desvalorização de cientistas contribuem ao reaparecimento de mazelas já erradicadas no Brasil. Assim, cabe ao Governo Federal, em parceria com os governos estaduais, promover políticas sanitaristas e de acompanhamento à saúde infantil, por meio de programas de tratamento de água e resíduos, bem como a vacinação residencial de crianças em comunidades, a fim de garantir o direito constitucional à saúde, evitando o ressurgimento de enfermidades. Do mesmo modo, cabe ao Ministério da Educação fomentar pesquisas e o desenvolvimento científico, mediante destinação de verbas a projetos, com a finalidade de garantir a autonomia nacional no combate a tais doenças, reconhecendo a importância atual e histórica de figuras como Oswaldo Cruz e Lavoisier.