O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 08/08/2020
Uma das frases mais impactantes do livro A Peste, de Albert Camus, produzida no contexto da Segunda Guerra Mundial, é: “A estupidez insiste sempre”. Nessa obra, o autor cria o cenário de uma peste, que, associada ao avanço das ideias nazistas, matou boa parte da população. Na atualidade, o reaparecimento de doenças assola o Brasil, matando, também, muitas pessoas. Semelhante à peste de Cumus, a propagação de vírus coloca em debate a importância de um projeto coletivo para a sociedade de lutar contra esse cenário. Primeiramente, destaca-se que a contenção de vírus só é possível se todas as pessoas e nações assumirem compromisso com a coletividade. Nesse sentido, tal esforço se mostra como um grande desafio, uma vez que a sociedade líquida é marcada por relações individualistas e fragmentadas, como ressalta Bauman em sua sociologia. Isso pode ser observado no descumprimento da principal medida de medidas de combate – parte da população e até a liderança máxima do país não estão dão devida importância. Em segunda análise, será necessário elaborar novas regras. Na perspectiva sociológica de Émile Durkheim, podemos considerar que o avanço dessas doenças é uma anomia, porquanto contribui para a desintegração social e os mais diversos conflitos: crise econômica, desemprego, inflação, instinto de conservação da vida. Contudo, se o processo de combate aos vírus é coletivo, a sociedade precisa estabelecer atitudes de solidariedade, por se tratar de uma doença que afeta a todos, independentemente de classe social. Portanto, para que a realidade não imite a ficção com o reaparecimento de doenças, é necessário que os indivíduos exerçam a empatia, como forma de fortalecer laços de solidariedade. Ademais, o Estado necessita ser o exemplo, procurando conscientizar a população sobre medidas de prevenção, para que os impactos possam ser minimizados e as vidas preservadas.