O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 09/08/2020
No início do século XX no Brasil, com influência da “Belle Époque” europeia, iniciou-se uma série de medidas modernizantes na então capital do país, o Rio de Janeiro. Uma dessas providências foi o controle de doenças como a varíola e a febre amarela, as quais afetavam a população da época. Tal ação, embora executada de maneira violeta e impositiva, contribuiu para a atenuação da presença dessas enfermidades no cenário vigente. Entretanto, no hodierno panorama brasileiro, o reaparecimento de doenças já erradicadas é uma problemática real e tem como fundamento não só o sucateamento das medidas preventivas, mas, sobretudo, a propagação do movimento antivacina. Em primeiro lugar, é cabível abordar que a negligência estatal por parte do controle de doenças no Brasil é um fator inerente à presente conjuntura. Nesse sentido, é necessário saber que a corrente Constituição brasileira, em seu artigo 196, afirma que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, o que, dessa maneira, evidencia a obrigação do Poder Público em oferecer saúde e proteção aos cidadãos. No entanto, esse benefício não é garantido de forma plena, principalmente a regiões periféricas e interioranas, o que afeta o bem-estar social. Desse modo, antigos problemas, outrora combatidos, voltam a solapar os brasileiros, nesse caso, o reaparecimento de doenças já erradicadas. Em segundo lugar, é de fundamental importância discorrer sobre a legitimação do movimento antivacina no contexto mundial, o que, de certa maneira, reflete nas adversidades do Brasil. Sob essa ótica, em 1998, o médico Andrew Wakefield fraudou um trabalho científico com o intuito de associar a vacina tríplice viral ao autismo. Tal ocorrido foi mais uma das inúmeras teses ilusórias que diversas pessoas utilizam para fundamentar a ineficácia da vacina. Essas ações estão fortemente presentes no meio social e impedem a progressão da ciência, uma vez que o mecanismo de prevenção eficaz, a vacinação, deixa de ser usado e, consequentemente, favorece o retorno de enfermidades já combatidas, a exemplo a varíola e a poliomielite. Dessa forma, há a reprodução de atribuições duvidosas ao uso da vacina, dificultando, assim, o aproveitamento da ciência como ferramenta de preservação da vida humana como afirmou o físico Marcelo Gleiser. Dessarte, fica claro que providências devem ser tomadas para impedir o retorno de doenças já erradicadas. Dessa maneira, é preciso que o Ministério da Saúde, em parceria com os Governos Estaduais, crie um mapeamento e inclusão de regiões remotas e o aumento de unidades móveis de imunização, além de promover uma campanha de conscientização nas mídias, sobretudo nas mídias sociais, em perfis oficiais do ministério, mediante diretrizes do plano orçamentário da saúde. A fim de não só imunizar as população geral, mas também esclarecer e combater correntes opostas à ciência.