O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

O progresso científico permitiu vários avanços na saúde, como por exemplo, o controle de epidemias mediante a ações de prevenção. Atualmente, no Brasil, mesmo existindo essa evolução, vive-se um cenário preocupante: as doenças controladas no passado começaram a ressurgir. Diante desta nova realidade faz-se necessário analisar o problema mediante a precariedade do ambiente urbano e as novas correntes ideológicas. Antes de tudo, é preciso entender que a macrocefalia urbana de muitas cidades brasileiras figura entre os motivos desse problema. Esta realidade precária dos centros urbanos é relatada desde o século XIX em obras literárias como “O Cortiço”, do naturalista Aluísio Azevedo, que evidencia as moradias precárias e insalubres do Rio de Janeiro da época. Infelizmente a realidade brasileira ainda segue próxima à do século retrasado porque de acordo com o Ministério da Saúde, somente 7% da população tem acesso a rede de esgoto e saneamento básico. Esta falta de recursos básico é uma iniquidade do poder público porque torna as doenças de fácil controle ainda presentes na sociedade brasileira. Somado a isso, novas correntes ideológicas antivacinas são propagadas cada vez mais rápido com a ajuda das redes sociais. Essas novas correntes surgem mediante a precariedade educacional da maior parte da população somada as deturpações das informações científicas. Aliado a isso, as redes sociais são meios que ajudam a disseminar “Fake News” sobre todos os tipos de assuntos - com as informações sobre saúde não é diferente. Nos Estados Unidos movimento antivacina começou a ganhar força mediante a um único estudo que relacionava o autismo à vacina tríplice viral. O resultado disso é que atualmente doenças, antes erradicadas, como é o caso do sarampo, estão voltando a apresentar reincidência. Além de entender estes fatores como agravantes no reaparecimento das doenças erradicadas, infere-se, portanto, a necessidade de medidas que promovam melhorias nas condições estruturais das cidades e melhoria na disseminação das informações de saúde. Para que isso ocorra é imprescindível que o Governo Federal, através do Ministério da Saúde, aumente a oferta de saneamento básico em todas as cidades e municípios brasileiros para evitar o contágio de doenças por contato com dejetos humanos. E também é necessário que a Impressa brasileira, por meio de propagandas em horários nobres, dissemine informações relacionadas a importância da vacinação.