O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
Durante do século XIV, a Europa foi acometida por uma epidemia conhecida como peste negra, a qual dizimou mais de um terço da população européia. Isso aconteceu devido às más condições sanitárias dos meios urbanos na época, possibilitando a catástrofe com rapidez e em larga escala. Hodiernamente, pode-se observar que as epidemias ainda estão presentes mundialmente e configuram-se como um desafio para a saúde pública brasileira, o que se deve a fatores intrínsecos a uma sociedade urbanizada com restrito acesso à correta informação e falta de saneamento básico.
Primeiramente destaca-se a curva crescente de novos surtos de doenças epidêmicas que já haviam sido controladas, tais como o sarampo, meningite e gripe A — todas com vacinas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — o que tem sido palco de diversas discussões no âmbito público. A Revolta da Vacina, episódio histórico que retrata a ignorância da sociedade e os problemas com o governo, fez com que a população carioca se recusasse a tomar a vacina obrigatória. Semelhantemente a tal evento, a saúde pública brasileira enfrenta um problema, haja vista que certa parte da população se recusam a vacinar seus filhos ou a si mesmo devido a falta de informação sobre a importância desse ato, juntamente com a proliferação de falsas informações sobre o assunto, fazendo com que o número de casos continue a crescer.
Por conseguinte, é fato que a propagação das doenças está diretamente relacionada com a questão sanitária, que é precária em diversas regiões e comunidades brasileiras. Segundo o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado criar mecanismos que garantam à população o acesso à saúde de qualidade, porém, é incontestável que o poder público se faz ausente como responsável pelos direitos fundamentais. Nas periferias esse fator se acentua, pois, sendo marginalizados pelo sistema público, esses indivíduos acabam por não ter acesso às condições básicas como água encanada e rede de esgoto, propiciando o ambiente perfeito para o desenvolvimento de vetores das doenças, deixando esse grupo de pessoas mais vulneráveis.
Destarte, haja vista que a crescente nas epidemias configura-se como um grande problema para a saúde pública e para a sociedade brasileira, faz-se necessário que certas atitudes sejam tomadas. Em primeiro lugar, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional a responsabilidade pela elaboração de medidas que atentem-se a populações carentes e marginalizadas, objetivando resolver os problemas que as tornam mais suscetíveis a doença. Ademais, cabe também ao Ministério da Educação que crie políticas públicas de conscientização efetiva, por meio das quais as pessoas possam entender a importância e eficácia da vacinação para que as doenças possam ser novamente controladas no país.