O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura o direito à saúde a todos os cidadãos como preceito inviolável e obrigatório. No entanto, sabe-se que, hodiernamente, tal premissa democrática não é totalmente efetivada, uma vez que, doenças como sarampo e rubéola, consideradas erradicadas, voltam a atormentar a sociedade brasileira, prejudicando não só a saúde da população, mas também o sistema de saúde. Nesse contexto, percebe-se que o retorno dessas doenças persiste intrínseco na realidade brasileira tanto pela pouca disseminação informacional quanto pela negligência de medidas preventivas.
Primeiramente, percebe-se que menos pessoas estão comparecendo, atualmente, aos postos de vacinação. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2017, o índice de imunização no país atingiu o menor nível nos últimos 16 anos. Por conta disso, mais pessoas estão pondo a própria vida e a de outros em risco. Sendo assim, é inaceitável que esse fato perdure ao considerarmos a facilidade na propagação de informações nos dias atuais. Dessa maneira, é notório que, além da falta de conscientização, a precariedade no saneamento básico – que propicia a procriação de vírus e bactérias – agrava tal circunstância.
Somado a isso, vemos que o nosso Estado possui grande dificuldade em articular planos eficazes que garantem o bem-estar de todos. No início do século XX, houve um aumento drástico no número de cariocas infectados por doenças relacionadas a higiene sanitária básica. Portanto, acionaram-se medidas de erradicação dessas doenças que levaram a um movimento popular contra a vacina. Fica, então, evidente o quão precárias são as estratégias preventivas em nosso país.
Desse modo, faz-se mister a ação estatal para conter o retorno de doenças erradicadas. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, promoverem a intensificação de campanhas informativas sobre vacinação. Isso deve acontecer em instituições de ensino e em veículos de informação em massa, como TV, rádio e internet, a fim de mostrar sua importância ao maior número de pessoas possíveis, além de acabar com suposições errôneas sobre tal. Outrossim, é importante que os mesmos, por intermédio de fiscalizações periódicas e tratamentos de locais propícios a proliferação de doenças infecciosas, promovam melhores condições de saneamento básico. Assim, o Brasil poderá concretizar o direito constitucional de saúde para todos e evitar movimentos como o da Revolta da Vacina.