O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 10/08/2020
Durante a colonização da América espanhola uma das causas mais favoráveis para a morte de nativos foi a transmissão de doenças trazidas pelos colonizadores espanhóis. Sob esse viés, a dizimação de boa parte da população indígena foi possível porque esses não tinham conhecimento do tratamento nem da prevenção de tais enfermidades. Dessa maneira, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil torna-se uma problemática recorrente na contemporaneidade, seja pela disseminação do movimento antivacinação, seja pela privação de vacinação para com alguns cidadãos.
Em primeira análise, infere-se que ao optar por não vacinar-se as pessoas contribuem para o adoecimento da sociedade pela ressurgência de patologias que já haviam sido controladas. Nesse ínterim, segundo dados emitidos pela OMS, a vacinação é responsável por evitar de 2 a 3 milhões de mortes por ano. Sob essa ótica, a propagação de fake news contribui diretamente para a antivacinação, cujo movimento teve início após a publicação de um artigo pelo médico Andrew Wakefield ao relacionar a vacina tríplice viral, que previne caxumba, sarampo e rubéola, ao autismo. No entanto, posteriormente foi descoberto que o profissional da saúde britânico havia alterado informações sobre pacientes para lucrar em ações contra fabricantes de imunização. Desse modo, os antivacinas têm um papel prejudicial perante a saúde pública, visto que tal concepção é negativa tanto para os adeptos, quanto para os que por algum motivo não possuem acesso as medidas de prevenção.
Em segundo lugar, ressalta-se que, a desigualdade social presente no território nacional faz-se determinante para a dificuldade de acesso a imunização. Nesse contexto, conflitos trabalhistas motivados pela perda de dias de trabalho para cuidados com os filhos, a dificuldade de transporte para pessoas que residem em áreas rurais e a baixa escolaridade que resulta na falta de conhecimento acerca das doenças preveníeis por vacinação, diminuem a cobertura vacinal. Assim, a falta de consultas noturnas ou nos fins de semana e a indisponibilidade de vacinas perdidas corroboram para a persistência dos índices de não imunização. Então, assim como afirmou Ariano Suassuna, a injustiça secular dilacera o Brasil em dois: o país dos privilegiados e a nação dos despossuídos.
Portanto, o Estado deve, por meio de programas e palestras educativas nas instituições de ensino, compenetrar a importância da vacinação na vida dos indivíduos, afinal, como discorreu Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Em consonância, o Governo deve promover programas de vacinação em casa para aqueles que não dispõem de meios de transporte, conhecimento acerca da disponibilidade ou folgas do trabalho para direcionar o tempo a imunização de suas crianças. Aspirando por meio dessas, evitar que o cenário visto na colonização espanhola se replique no Brasil.