O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 13/08/2020
O reaparecimento de doenças no Brasil é um problema atual que pode ser observado, por exemplo, no aumento de casos de sarampo no estado de São Paulo, que só no ano de 2019 atingiu 16.075 pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, a situação fica ainda mais grave quando percebe-se que o sarampo tem sua vacina disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas mesmo assim é uma das enfermidades que persistem na sociedade brasileira. Desse modo, deve-se analisar os aspectos educacionais e o papel do movimento antivacina no ressurgimento de doenças.
Antes de tudo, é importante ressaltar como a escola corrobora para a volta de infecções. Nesse sentido, o fato de as escolas não abordarem o tópico das doenças de maneira efetiva, não mostrando como elas são contraídas e como as prevenir, faz com que muitos alunos negligenciem esse assunto e, no futuro, tratem a vacinação dos filhos como algo sem grande relevância, fato que aumenta a chance da criança contrair uma doença erradicada. Além disso, como aconteceu na revolta da vacina de 1904, na qual alguns cidadãos do Rio de Janeiro se recusaram a tomar a vacina contra varíola, nota-se que a ineficácia com que certas campanhas de vacinação são feitas pode até mesmo ratificar a aversão que umas pessoas tem à essa forma de imunização. Assim, é notório como o Estado falha em convencer a população sobre o perigo das doenças, ocasionando na volta de doenças erradicadas.
Consequentemente, o movimento antivacina tem crescido a cada ano no Brasil e no mundo, junto ao ressurgimento de doenças erradicadas. Nesse contexto, a falta de conhecimento sobre o funcionamento da vacina e sobre os terríveis sintomas das infecções evitáveis se aliou ao fato de que, em 1998, o pesquisador Andrew Wakefield publicou um artigo no qual associou a tríplice viral, vacina que previne o sarampo, a rubéola e cachumba, ao autismo; desde então, o grupo de pessoas contra a vacinação ganha força a cada ano. À vista disso, o sarampo, que já havia sido erradicado da América, além de estar aumentando no número de casos no Brasil, já matou 3 pessoas no estado de São Paulo, em 2019, segundo o Ministério da Saúde. Sendo assim, percebe-se como o crescimento do movimento antivacina influencia no reaparecimento de doenças e nas trágicas consequências desse fato.
Levando em conta o exposto, é mister que medidas sejam tomadas para evitar a volta de doenças erradicadas. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde fazer campanhas alertando sobre a importância da vacinação e sobre o perigo da volta de infecções, por meio de palestras em escolas e transmissões online feitas profissionais didáticos que consigam apresentar a gravidade do problema de forma eficiente. Assim, a população passará a ter a vacinação como uma prioridade, evitando a volta de doenças eliminadas, como o sarampo.