O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/08/2020
A obra cinematográfica “Contágio”, dirigida por Steven S., retrata uma situação caótica decorrente do despreparo público contra um vírus muito resistente. Fora da ficção, lamentavelmente, esse dilema mostra-se presente na realidade brasileira por meio da fragilidade da saúde da população devido o ressurgimento de vírus e bactérias outrora erradicados. Nessa apreensão, analisa-se que esse dilema decorre tanto de uma frequente irresponsabilidade cidadão, quanto de graves falhas no Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, é imperativa a discussão de tais aspectos para otimizar a vida no Brasil.
Convém ressaltar, a princípio, a postura incoerente de muitas pessoas diante dos cuidados para evitar o reaparecimento de enfermidades extintas. Nesse sentido, embora existam diversos estudos científicos embasando a eficácia da medicina preventiva, é alarmante a descontinuidade do uso de preservativos nas práticas sexuais de pelo menos 30% dos jovens entre 18 e 25 anos; vale mencionar também o crescente número de grupos contra a vacinação, principalmente, de crianças - tal como afirma o Ministério Da Saúde. Tais posturas irresponsáveis têm colaborado para a volta de mazelas como a Sífilis, Tuberculose, Paralisia Infantil, Sarampo e Varíola, caracterizando essa situação como extremamente preocupante e retrógrada.
Outrossim, é importante salientar as falhas das ações públicas de saúde relacionadas a essa problemática. Sobre tal perspectiva, observa-se um enfraquecimento das ações preventivas do SUS relacionadas à cobertura vacinal e ao acompanhamento médico dos cidadãos, em virtude do sucateamento de várias unidades básicas de saúde (UBS) e o mal pagamento dos seus servidores públicos, em especial, os agente de saúde e médicos da família, conforme matéria divulgada pelo Jornal da Cultura. Logo, o pouco investimento na base de combate às enfermidades contagiosas atrapalha, por vezes, o alcance e a continuidade das campanhas de vacinação, bem como a orientação da população sobre as práticas de prevenção, corrompendo-se, assim, o princípio da integralidade do SUS.
Em suma, faz-se inadiável a tomada de ações atenuantes aos impasses abordados. Urge, pois, ao Ministério Público entrar com ação obrigando a União e o Ministério da Saúde a repassarem verbas para os setores de medicina preventiva do SUS. Tal investimento será destinado para o pagamento e contratação de médicos e agentes de saúde, a abertura de mais UBSs, a reforma das unidades em situação precária e a informatização do banco de vacinas. A finalidade dessas medidas será a de otimizar a cobertura vacinal e reforçar o acompanhamento em domicilio para conscientizar os cidadãos. Destarte, tais mazelas passarão, novamente, a fazer parte só do passado do país e de uma ficção.