O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 10/08/2020
De acordo com a Constituição Federal a saúde é direito de todos e dever do Estado. No entanto, ao analisar o cenário de reaparecimento de doenças já erradicadas, nota-se que esse direito proposto pela Constituição não é visto na prática. Isso porque o número de doenças que já eram consideradas controladas e hoje voltaram a tomar conta dos países é algo considerável. Sendo assim, cabe citar o movimento antivacina e a ausência de saneamento básico como fatores que influenciam nesse cenário.
A princípio, é possível perceber que tais circunstâncias devem-se ao movimento antivacina criado ao redor do mundo. A respeito disso, sabe-se que a vacina é um mecanismo fundamental na contenção de propagação de doenças erradicadas. Sabe-se que no ano de 1904, ocorreu, no Brasil, a Revolta da Vacina, no qual as camadas populares mais pobres se revoltaram com as medidas de cuidado propostas pelo governo vigente. Embora 116 anos tenham se passado, existe, ainda no século XXI, movimentos que vão contra as aplicações de vacinas. Isto posto, segundo a Organização Mundial da Saúde, o movimento antivacinação foi incluído no relatório sobre os dez maiores riscos à saúde global. Com isso, torna-se importante combater esses ideais que tem se tornado cada vez mais frequente na população.
Outra questão, relevante nesse debate, é o papel do governo em garantir que todos os cuidados básicos sejam garantidos a sociedade. No entanto, ao analisar o retorno de doenças antes erradicadas, como sarampo e rubéola, observa-se se que esse cuidado não está sendo cumprido. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve existir de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Contudo, com a ineficácia de saneamento básico, como por exemplo em grandes periferias, abram-se portas para que doenças as quais já foram combatidas voltem a proliferar. Como consequência, é imprescindível cuidar dos esgotos, água potável, coleta de lixos para que o problema não se intensifique.
Assim, é fundamental, portanto, que o Estado, em parceria com o Ministério da Educação, promova debates dentro das escolas a respeito da importância de se vacinar, mostrando para os alunos as consequências que a não vacinação pode causar, a fim de manter todos os indivíduos informados sobre a necessidade de prevenção com as imunizações. Ademais, ainda por seções governamentais, cabe ao governo, atrelado ao Ministério da Saúde, providenciar maiores cuidados básicos a toda população, principalmente as das periferias, mais expostas a grandes doenças, com o intuito de impedir que grandes enfermidades voltem a assombrar as comunidades brasileiras. Com a união desses fatores, espera-se alcançar o direito à saúde que é, por lei, garantido pela Constituição Federal.