O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/08/2020

No século XX, em função da ausência de conhecimento, a sociedade carioca rebelou-se contra a campanha de vacinação obrigatória, proposto pelo médico Oswaldo Cruz, o qual visava minimizar os índices de varíola na região. Apesar do êxito desse projeto,na contemporaneidade, o número de vacinados diminui gradativamente, quadro que gera possíveis retornos de doenças até então erradicadas no país. Nesse contexto, a falsa sensação de segurança e o crescimento dos movimentos antivacina são fatores que contribuem diretamente na intensificação da atual conjuntura brasileira.

Primeiramente, cabe destacar o impacto negativo do senso de proteção instaurado no Brasil. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é recomendado que 95% da população seja imunizada por ano, entretanto, em 2016, por exemplo, apenas 85% da população foi vacinada. Sob essa ótica, nota-se que o sucesso do Programa Nacional de Imunizações(PNI), em reduzir e erradicar doenças como o sarampo e a poliomelite, causou uma despreocupação na sociedade atual, a qual age de forma negligente quanto à vacinação. Dessa forma, cria-se um ambiente propício ao retorno de doenças erradicada.

Por conseguinte, é importante compreender o malefício causado pelos movimentos antivacina. Nesse viés, fomentados por notícias falsas e concepções equivocadas a respeito das vacinas, como serem causadoras de autismo, resgatadas do século XX, os brasileiros se recusam a receber vacinação. Assim, inseridos no estágio de menoridade intelectual, segundo o filósofo Immanuel Kant, no qual são incapazes de discernir o conhecimento verdadeiro de falácias e passam a ser tutelados por informações irreais, esses brasileiros fizeram resultar em um decréscimo de 30% no índice de cobertura vacinal, de acordo com um estudo feito pelo Ministério da Saúde.

Diante do exposto, faz-se mister que medidas sejam tomadas para evitar a propagação de doenças já enraizadas. Desse modo, urge ao Estado, na forma do Ministério da Saúde, disseminar informações sobre as vacinas e explicar a importância e necessidade do ato, por meio de debates e palestras feitos por médicos, expostos pelas grandes mídias, como a internet, com o intuito de promover o contato direto entre médico e paciente, a fim de minimizar e, novamente, erradicar reincidentes doenças. Assim, exclui-se não só o instaurado sentimento falso de proteção, mas também os movimentos antivacina, por meio da inserção do indivíduo no estágio de maioridade kantiana, emancipando-se intelectualmente e entendendo as informações as quais possui contato, e, dessa maneira, o Brasil progride no que tange à saúde pública, distanciando-se do contexto do século XX.