O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 10/08/2020
“O povo diz que Deus limitou a inteligência para que os homens não invadissem seus domínios; pena não ter feito o mesmo com a burrice humana”. É com essa frase que o médico Dráuzio Varella inicia o artigo Sábios Antivacinais e critica o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil devido ao movimento antivacinação. Impulsionados pela falta de informação e pela propagação das fake news, os criadores de teorias da conspiração questionam e deslegitimam os reais efeitos e intenções das vacinas, dessa forma, eles são responsáveis pelo retorno de enfermidades que já haviam sido extintas, o que coloca em risco a saúde e a vida de milhões de brasileiros.
Nesse contexto, a falta de informação e de educação biológica é um grande fator responsável pela queda da imunização no Brasil. Muitas pessoas não sabem que, segundo a Biologia, as vacinas funcionam como tipo primário de contato com o patógeno atenuado para estimular a produção de anticorpos, além disso, nem todos estão cientes da diversidade de doenças que possuem vacinas disponíveis e poucos têm contato com o calendário de vacinação. Por isso, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, 50% dos jovens ficam sem imunização todo ano, o que acaba resultando no reaparecimento de enfermidades como Meningite, Tuberculose, Sarampo, Caxumba e Rubéola.
Ademais, outro fator que contribui com o ressurgimento de doenças erradicadas é a propagação de fake news. A disseminação de notícias falsas em relação ao programa de vacinação não é apenas produto da modernidade, como foi visto na Revolta da Vacina em 1904, caracterizada pela reação violenta do povo à vacinação obrigatória contra a Varíola, devido ao medo que se tinha da vacina ser um instrumento utilizado pelo governo para reduzir a população marginalizada. Atualmente, com a globalização, as informações mentirosas, chamadas agora de fake news, circulam mais rápido e atingem mais pessoas, por isso o movimento antivacinação é cada vez mais crescente e prejudica cada vez mais o sistema de saúde brasileiro.
Portanto, fica evidente que a queda na imunização coloca a vida da população em risco. Diante disso, o Ministério da Educação deve incluir desde o ensino primário um estudo aprofundado sobre vacinação, por meio de aulas, debates e materiais didáticos, com informações sobre resposta imunológica primária, doenças erradicadas no Brasil e calendário de vacinação, a fim impedir que a falta de conhecimento seja motivo para o retorno de doenças extintas. Por fim, o Ministério da Saúde deve fiscalizar e penalizar as fake news da onda antivacina, por meio de algoritmos da internet e de parceria com delegacias cibernéticas, a fim de barrar as teorias que conspiram contra a imunização. Só assim, o reaparecimento de doenças erradicadas não será mais preocupação para o povo brasileiro.