O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/08/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988 todos têm direito à saúde. Entretanto, no que concerne ao reaparecimento de doenças já erradicadas no Brasil, a legislação é negligenciada. Um exemplo disso é quando se vê novos casos de sarampo em algumas cidades brasileiras, mesmo que ela tenha vacina e não seja considerada um problema presente. Nesse sentido, pode-se dizer que esse problema é decorrente do descaso governamental ao detrimento natural e da falta de informação da sociedade.

A priori, conforme a socióloga Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Nesse contexto, observando a negligência estatal nos termos de meio ambiente, a frase de Arendt resume o cenário atual, tendo em vista que diante de queimadas e desastres provocados pelo homem, o governo falha em não tomar as atitudes que são necessárias para combater esse problema. Infelizmente, como consequência do desmatamento recorrente, o aquecimento global é acentuado, aumentando a temperatura do planeta e causando o derretimento das calotas polares, que podem conter vírus já erradicados e, portanto, com altas chances de causar epidemias, dado que não há vacinas, nem tratamentos para doenças que não são problemas atuais.

A posteriori, no século XXI, tem-se movimentos anti-vacinas, o que é totalmente irresponsável, já que a imunização é a melhor forma de prevenir o reaparecimento de doenças. No entanto, analisando o pensamento de George Santayana que diz: “Aqueles que não conseguem se lembrar do passado, estão condenados a repeti-lo”, pode-se afirmar que a falta de conhecimento da sociedade sobre processos históricos é um fator que corrobora para essa irresponsabilidade. Em paralelo, se os membros desse movimento estudassem a Revolta da Vacina - período histórico em que as pessoas se recusavam a receber imunização, alienados de que a prevenção causaria a doença -, veriam que, por fim, a falta da vacina resultou no avanço de doenças e assim, perceberiam que ela é necessária.

Dado o exposto, conclui-se que atitudes devem ser tomadas para a prevenção desse problema. Para isso, o Poder Estatal, através do Ministério do Meio Ambiente, deve promover leis mais rígidas para os responsáveis do desmatamento ilegal, essas devem ser constituídas de multas com valores significativos. Além disso, com o dinheiro dessas, é preciso investir em câmeras, uma quantidade maior de guardas e processos de reflorestamento, para que o efeito estufa seja amenizado e novos vetores não invadam os centros urbanos. Ainda, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com o da Educação e com a mídia, fazer palestras e comerciais que mostrem a importância da vacinação para a prevenção da volta de doenças, essas devem ser compostas de professores de história, enfermeiras e agentes da saúde municipal, com o fito de dar informação à sociedade e melhorar a situação atual.