O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
No século XV, com a colonização da América pelos portugueses, como os povos indígenas não possuíam os mesmos mecanismos de defesa imunológica dos europeus, houve o alastramento de inúmeras patologias, como a varíola, no território brasileiro, contribuindo para a dizimação dos nativos. Com o desenvolvimento de tecnologias médicas, como antibióticos e vacinas, ocorreu-se, gradativamente, a diminuição e a consequente erradicação de várias doenças. Não obstante esse progresso, nas últimas décadas, verifica-se o reaparecimento de patologias antes consideradas extintas. Dessa forma, vale analisar como causa dessa problemática a intensificação do movimento antivacina no meio digital, além de relacioná-la com o modelo socioambiental hodierno.
Em primeira tese, é solido ressaltar como a conjuntura virtual contribui para a temática abordada. Ao final do século XX, com a Revolução Técnico-Científica-Informacional, o acesso às redes sociais se tornou democrático. Consequentemente, a velocidade de propagação de notícias, sobremaneira as falsas, intensificou-se significativamente. Nesse contexto, é necessário destacar o estudo feito pelo médico Andrew Wakefield no final da década de 90, o qual relaciona, equivocadamente, a aplicação da vacina ao desenvolvimento do autismo. Apesar da pesquisa ter sido feita sem embasamento científico, seus impactos reverberam-se até os dias atuais, sobretudo no ambiente virtual, no qual nota-se um grande número de pessoas adotando o discurso antivacina. Por conseguinte, muitos pais deixaram de vacinar seus filhos, o que colabora no ressurgimento de doenças.
Em segunda tese, é válido salientar como a conjuntura global favorece as doenças reemergentes. Devido à intensa emissão de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, a atmosfera terrestre tem concentrado maior quantidade de calor. Esse fenômeno, conhecido como aquecimento global, faz com que o nicho ecológico das espécies e, de modo consequente, as teias alimentares seja alterado. Dessa forma, muitos animais portadores de vírus incubados entram em contato com a população humana, auxiliando no reaparecimento de doenças. Ademais, também é indispensável destacar a questão sob o viés social, uma vez que a extrema pobreza inviabiliza a higiene pessoal, elevando a transmissão de patologias. É mister, portanto, atribuir a devida deferência à problemática analisada. O Ministério da Educação – órgão cuja incumbência é a de formar cidadãos aptos a conviver em sociedade – deve incluir no currículo escolar aulas que abordem a temática da educação digital, por meio da capacitação de professores e oferecimento de materiais didáticos, a fim de que os alunos se tornem indivíduos capazes de discernir notícias verídicas das falsas. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente deve promover campanhas de conscientização da população que relacionem a preservação do meio ambiente a questões sociais. Desse modo, doenças erradicadas não reaparecerão, e a coesão social estabelecer-se-á na sociedade brasileira.