O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/08/2020
Durante muitos anos, doenças infecciosas como o sarampo e a febre amarela chegaram a ser consideradas erradicadas em território brasileiro. Entretanto, essas doenças tornaram-se reemergentes e voltaram a preocupar a população e as autoridades médicas. Desse modo, é necessário identificar e combater os fatores que contribuem para o reaparecimento de tal problemática.
É imperativo abordar, em um primeiro momento, a importância do Programa Nacional de Imunizações. Graças ao seu calendário nacional de vacinação – que contém uma rotina que abrange desde recém-nascidos até idosos - a Organização Mundial da Saúde declarou a poliomielite erradicada no Brasil. Contudo, em 2019 o Ministério da Saúde emitiu um alerta para a reintrodução da doença no país devido aos elevados números de cidadãos não vacinados. Muito desse aumento se deve ao movimento antivacina, que já foi declarado pela OMS como uma das dez ameaças à saúde mundial, pois embora existam inúmeras provas científicas da eficiência e segurança sobre esse método de imunização, conteúdos imprecisos e enganosos são mais volumosos e de fácil acesso na internet, e, ao recorrer a sites em busca de informações, indivíduos acabam ludibriados.
Outro fator que contribui para o ressurgimento das doenças virais é, contraditoriamente, o sucesso da imunização que elas promovem. O comportamento da sociedade durante o surto de febre amarela em 2016/2017 demonstra como isso ocorre. A população não é vacinada, o que gera um pico no número de casos registrados da doença, aumentando a procura pela vacina. Quando a taxa de contágio retrocede, devido à imunização ativa que os cidadãos sofreram a frequência nas campanhas de vacinação também retrocede e o ambiente está novamente propício a uma nova aparição daquela enfermidade. É um círculo vicioso que só será rompido com a conscientização de que é importante ter a carteira de vacina em dia, mesmo que não ocorra nenhum pico de alguma doença em específico.
Conclui-se que, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil é consequência das tomadas de decisão da população, visto que o Estado cumpre o seu dever legal de garantir o acesso à saúde por meio do fornecimento anual de vacinas, porém, falha em orientara sua população. Sendo assim, para que esse problema seja corrigido, cabe ao Ministério da Educação e da Saúde - em parceria com a Secretaria Especial de Comunicação Social - a criação e divulgação de campanhas publicitárias em rádios, televisões e internet, com o objetivo de instruir os cidadãos sobre os benefícios de a imunização ativa ser adotada como estratégia de saúde pública, além de ensiná-los a identificar informações falsas sobre esse tema, para que dessa forma as taxas de brasileiros vacinados sejam sempre crescentes e o risco de o país enfrentar novamente doenças que já foram vencidas seja decrescente.