O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Em 1904, a Revolta da Vacina foi um movimento social contra a obrigatoriedade da vacinação, esse procedeu-se devido a um desconhecimento por parte da população que impulsionou o reaparecimento de doenças emergentes no Brasil. Paralelamente, no atual cenário social doenças antes erradicadas, como o sarampo, voltam a acometer a sociedade brasileira. Dessa forma, é necessário analisar os aspectos sociológicos e estatais que refletem na problemática.

Nesse sentido, a crescente disseminação das chamadas “fake news”, notícias falsas, contribui na construção de uma sociedade insipiente e negligente mediante ao próprio bem-estar. Sob essa lógica, segundo Francis Bacon, importante teórico inglês, “as condutas, assim como as doenças são contagiosas”, de maneira análoga, devido ao caráter imediatista da sociedade atual ao receber uma informação não há uma verificação da veracidade do que lhe foi repassado, sustentando o fluxo das “fakes news”. Tal fato influencia, por exemplo, na crescente recusa dos pais a vacinarem seus filhos, por desconhecerem integralmente os risco os quais estão os expondo e a toda comunidade.

Ademais, cabe analisar a escassez de políticas públicas com o intuito de sanar a proliferação de doenças. À vista disso, o déficit de vacinas essenciais nos postos de saúde somado a falta de campanhas que abordem sobre a importância da vacinação e os perigos relacionados à falta dela são fatores que contribuem na diminuição da cobertura vacinal, configurando-se também em uma falha do estado ao cumprir o que foi regulamentado pela Lei do Sus na Constituição Federal, uma vez que essa visa “garantir a saúde e a execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação”.

Em síntese, cabe ao Ministério da Saúde em parceria com mídias sociais e televisivas elaborar campanhas e projetos de incentivo a vacinação que orientem sobre os perigos que a falta dela pode provocar, a fim de garantir uma sociedade mais consciente e informada, de modo a anular notícias e conhecimentos errôneos sobre o assunto. Por sua vez, o Estado deve elaborar planos de ação que garantam o abastecimento correto de postos de saúde, além de destinar investimentos a pesquisas em prol de novos tipo de imunização. Dessa forma, será possível sanar a problemática e garantir que episódios como a Revolta de 1904 não voltem a acontecer.