O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/08/2020
Em um dos episódios da série americana Grey´s Anatomy, o personagem George O´Malley fica chocado ao constatar que contraiu sífilis, uma doença considerada controlada e evitável por meio do uso de preservativo. Fora da ficção, o ressurgimento de patologias que estão sob controle no mundo ou até mesmo erradicadas em alguns países é um problema que cresce rapidamente, uma vez que movimentos anti-vacinação ganham cada vez mais espaço entre a população. Em decorrência disso, epidemias inesperadas retornam e os índices de mortes alcançam níveis estratosféricos.
Em primeira instância, faz-se necessário ressaltar algumas das causas de tamanha problemática, não só no Brasil, mas também em escala global. De acordo com a teoria da “cordialidade”, criada pelo importante historiador Sérgio Buarque de Holanda e exposta em sua obra Raízes do Brasil, uma das características do homem cordial é sobrepor seus interesses pessoais às necessidades coletivas. Sob tal ótica, é possível ilustrar a situação criada pelos cidadãos que optam pela não vacinação de seus filhos, haja vista que isso é uma escolha pessoal, mas que pode acarretar graves consequências para a sociedade em geral, pois, crianças não vacinadas que contraem doenças há muito esquecidas podem gerar novos surtos e matar inúmeras pessoas. Dessa forma, envidecia-se que o desleixo em relação ao cumprimento da caderneta de vacinação constitui um forte agravante do transtorno.
Em segunda instância, torna-se imprescindível frisar as consequências do descaso social no que tange à prevenção de enfermidades como rubéola, poliomielite e sarampo. Conforme a Organização Mundial de Saúde explicita por meio de pesquisas, uma em cada cinco crianças no mundo não são vacinadas, e por volta de 1,5 milhão morrem todos os anos em decorrência de doenças que poderiam ter sido prevenidas. Ademais, de acordo com dados do jornal O Tempo, em 2019, o Brasil aprensentou 130 casos de sarampo apenas no estado de Minas Gerais, doença que constava como erradicada no país desde 2016. Visto isso, é inegável que o reaparecimento dessas patologias tem intensificado o número de mortes no Brasil, o que configura um quadro caótico de saúde pública.
Destarte, depreende-se a importância de ações que venham a reduzir os efeitos adversos da questão. Para isso, urge que o Ministério da Educação, em sinergia com o da Saúde, promova debates e seminários nas universidades públicas do país a respeito do real papel das vacinas e sobre seus benefícos, tudo isso com o intuito de alertar e conscientizar a população, ao passo que desmistifica a crença propagada pelas campanhas anti-vacinação de que ela traz malefícios à saúde. Assim, torna-se-á possível a construção de um mundo permeado apenas pela evolução no campo da saúde pública, onde doenças erradicadas continuam no passado.