O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 12/08/2020

À questão da manutenção do controle de diversas doenças não foi dada a devida atenção no Brasil, visto que mazelas antes erradicadas voltaram a castigar o povo brasileiro. Isso se dá por causa da falta de condições sanitárias básicas em grande parte dos municípios, assim como por conta da propagação da desinformação, que atinge todas as camadas sociais. Com efeito, debates acerca da temática são uma medida que se impõe.

Em primeiro plano, é necessário que o país desenvolva uma política de Estado para tratar da questão sanitária, principalmente nas regiões periféricas e rurais. Doenças como dengue, febre amarela e zika são transmitidas por picada de mosquito, e o controle populacional desse vetor mostra-se mais eficaz em regiões com água tratada e encanada e coleta de lixo, uma vez que esses recursos limitam a necessidade e a ocorrência de acúmulo de água parada - local ideal para o crescimento da larva do inseto. Ademais, a Organização Mundial da Saúde considerou, em 1955, que o Brasil estava livre do Aedes aegypti, o que comprova que é possível conter a propagação das diversas enfermidades que ele transmite através de medidas que dificultem sua reprodução.

De outra parte, o compartilhamento de notícias desatualizadas ou sem qualquer embasamento científico também afeta o controle de doenças no Brasil, haja vista que as redes sociais maximizam o número de pessoas que entram em contato com cada informação veiculada na internet. Esse problema assumiu contornos específicos em 2019, quando a região Sudeste passou por um período crítico em decorrência da multiplicação de casos de sarampo, doença que havia sido erradicada do país em 2016. Esse evento aconteceu em decorrência do crescimento do movimento antivacina, originário da Europa, que tem como princípio uma comprovada falsa associação entre a vacinação e o autismo. Nesse sentido, um caminho possível para combater o reaparecimento de doenças antes erradicadas passa, invariavelmente, pela conscientização da população quanto à imprescindibilidade das vacinas.

Portanto, urge que as prefeituras municipais, em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o Ministério da Educação (MEC), atuem a fim de mitigar o fenômeno da volta de doenças outrora erradicadas. Assim, cabe ao MS e ao MEC, por meio de campanhas de conscientização em massa nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, esclarecer a população acerca da importância da vacina como artifício de prevenção a diversas moléstias, de modo a fortalecer o esse pacto coletivo. Às prefeituras municipais, por sua vez, compete universalizar o acesso a água tratada e encanada, bem como levar a coleta de lixo a todos os cidadãos, diminuindo assim a incidência de insetos vetores de doenças.