O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Após décadas de lutas sociais, em território nacional, buscando pela ampliação jurídica do conceito de cidadania, conquistou-se a saúde pública universal, cuja atuação foi essencial no combate e prevenção de doenças infectocontagiosas que assolavam a população brasileira. Entretanto, mesmo com as concessões supracitadas, tais doenças voltaram a reincidir devido ao abuso ambiental e consequente desequilíbrio deste, descuido preventivo por parte da população e eclosão de movimentos antivacinas. Logo, compreende-se a necessidade de existirem, concomitantemente, políticas de conscientização, de racionalização e de investimentos na saúde.

Promulgada a Constituição de 1988, os movimentos sociais nascidos no processo de redemocratização presenciaram a conquista do SUS com o lema “A saúde é um direito de todos e um dever do Estado”, fator que melhorou exponencialmente as condições de vida dos cidadãos. Contudo, hodiernamente, visualiza-se uma falta de responsabilidade integral para com o sistema tanto por intermédio de órgãos financiadores quanto por intermédio da população. Dessa maneira, visualiza-se a gênese da deficiência do sistema e a consequente reaparição de doenças consideradas erradicadas.

Divergente da filosofia cartesiana, a qual aconselhava duvidar dos conhecimentos pré-estabelecidos, observa-se uma desconfiança dos conhecimentos científicos, levando o povo a aderir a movimentos antivacinas e descuidar de práticas preventivas. Ainda que tais fatores colaborem com a problemática, é crucial afirmar que o abuso ambiental também contribui, uma vez que expulsa os vetores de seu habitat natural, aumentando os índices das chamadas zoonoses. Assim, delineia-se um cenário favorável ao impasse.

Destarte, medidas são necessárias para controlar tais doenças. É mister que órgãos financiadores, como a União e empresas de iniciativa privada, invistam em campanhas preventivas e de conscientização disponibilizadas pelo SUS, a partir do uso ético dos impostos recolhidos, visando a erradicar movimentos antivacinas e DSTs. Outrossim, que o Estado em conjunto com a ONU crie e cumpra metas de desenvolvimento sustentável, a partir da criação de leis ambientais, visando a atenuar o aparecimento de zoonoses. Isso posto, a população voltará a agir conforme a filosofia cartesiana e manter-se-á saudável, valorizando o SUS.