O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 19/08/2020
Em um episódio da série televisiva “Chicago Med”, um jovem menino falece de meningite C, pois seu primo não era vacinado. Apesar de o primeiro ser imunizado, devido à complicações da doença, não conseguiu resistir. Fora das telas isso também acontece, visto que diversas doenças anteriormente erradicadas voltaram a aparecer no Brasil. Tal retrocesso do país, acontece por dois principais motivos: a falta de saneamento básico para a população, e o fortalecimento do movimento antivacina, tonificado pelas Fake News.
Não obstante à Constituição Cidadã de 1988, que deveria garantir o direito a saúde para indivíduos de todas as classes, o Brasil ainda tem uma discrepância enorme na saúde das classes mais baixas para as mais altas. Nesse cenário, é importante reconhecer que algumas doenças como a Hanseníase, Difteria e Febre Tifoide, poderiam ser erradicadas com o saneamento básico a toda população. Entretanto, segundo o IBGE, apenas 43% dos brasileiros têm coleta e tratamento de esgoto. Isto significa que mesmo na atualidade, grande parte dos brasileiros ainda vivem na miséria e sujeira mostrada no livro “O cortiço”, da década de 1890.
O escritor da obra supracitada, Álvares de Azevedo, morreu de uma doença vacinável atualmente, a Tuberculose. Embora o surgimento de vacinas e prevenções devesse diminuir os casos, não é o que tem acontecido. Algumas doenças voltaram a se espalhar devido a quem nega vacinar a si e aos seus filhos. Esse movimento antivacina não surgiu agora, mas está cada vez mais forte com advento da internet, que facilita o compartilhamento de Fake News e teorias da conspiração. Nesse cenário, os dados do Boletim Epidemiológico de 2017, mostram que o alcance da vacina contra a Poliomelite caiu de 94,5% em 2015, para 78,5% dois anos após. Isto é, logo essas doenças vão voltar a ser epidemias pela falta de cuidado dos cidadãos.
Mediante à todo o exposto, fica nítido a urgência de soluções. Para esse fim, deve-se agir em duas frentes. Em primeiro plano, é essencial que o Ministério da Saúde unido ao Ministério do Meio Ambiente, exijam das autoridades que ao longo de determinado prazo, estabelecido pelos dois órgãos, o saneamento básico seja ampliado para toda a população, cumprindo direitos estabelecidos pela Constituição. Por fim, cabe ao Ministério da Informação e Tecnologia, moverem esforços para banir e excluir o máximo possível de fake news das redes, para que assim o movimento não ganhe mais força. Com todo esse conjunto de medidas, a saúde e qualidade de vida serão asseguradas para a população, e cenários como os de “O Cortiço” e “Chicago Med” só serão vistos na ficção.