O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/08/2020

A Revolta da Vacina, que ocorreu em 1904, foi um movimento promovido pela população contra o sistema de vacinação imposto pelo governo - no qual as pessoas eram obrigadas a se vacinar para impedir a disseminação da varíola. Na atualidade, contudo, a realidade não é diferente, uma vez que o ativismo antivacina tem crescido com muita intensidade e, por esse motivo, doenças que já haviam sido erradicadas, ameaçam a saúde dos brasileiros. Assim, aspectos relacionados à negligência governamental e os perigos da ineficácia da cobertura vacinal devem ser analisados.

A princípio, é inegável a falha estatal no que diz respeito a análise de alternativas para minimizar os impactos das doenças reemergentes no Brasil, uma vez que, em muitas localidades, os vetores das doenças se proliferam por falta de conhecimento das medidas preventivas. Ademais, é importante mencionar que o sistema de vigilância sanitária no país não é totalmente inclusivo, haja vista as regiões rurais que não recebem visitas e nem orientações para conter o avanço de determinadas doenças. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade atual é composta por sistemas que não são feitos para durar, ou seja, são relações líquidas. Nessa perspectiva, as formas de comunicação impedem que os indivíduos sejam igualmente tratados e, por consequência, as pessoas que vivem em áreas periféricas tornam-se alvo do epicentro de contaminação. Desse modo, novos métodos de inclusão e fiscalização de determinadas áreas devem ser estudados.

Por outro lado, percebe-se o descaso da população diante da importância da vacinação, visto que, algumas doenças são duramente difundidas pela resistência das pessoas contra a vacina. Sob a perspectiva de Immanuel Kant, filósofo prussiano, estado de menoridade é a incapacidade do homem de se submeter ao uso de seu próprio entendimento. Nessa lógica, a falta de conhecimento é um fator que dificulta a aceitação de medidas preventivas e, por consequência, os efeitos podem acometer a nação e o mundo. Dessa maneira, é fulcral a conscientização social.

Com base no exposto, medidas devem ser tomadas para que esse cenário seja revertido. Logo, concerne ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da saúde, articular e desenvolver projetos que incluam toda a população nos sistemas de fiscalização e orientação - por meio da visita de profissionais dispostos a eliminar os possíveis focos de doenças - a fim de garantir a segurança da saúde dos indivíduos. Além disso, é oportuno que o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação - promova palestras escolares para ensinar as crianças e adolescentes sobre as doenças que tem o potencial epidêmico e a importante de prevenção - com a finalidade de formar pessoas conscientes e comprometidas com a saúde da sociedade.