O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

Durante a Guerra Fria, a disputa ideológica entre os Estados Unidos e a União Soviética promoveu o desenvolvimento de tecnologias em diversas áreas, como a corrida espacial e a revolução na medicina. Nesse contexto, ocorreram diversas pesquisas na área de infectologia e a descoberta de novas vacinas, como a vacina para poliomielite. Entretanto, a sociedade brasileira do século XXI vai em sentido contrário ao do progresso científico, dando brechas para o reaparecimento de doenças já erradicadas no país. Nesse contexto, é importante analisar como o movimento antivacina e a falta de informação são fatores que ajudam nesse processo anticientífico.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o movimento antivacina vem ganhando muitos adeptos ao longo do século XXI. Em virtude disso, pode-se dizer que a população brasileira está apresentando maior resistência para tomar vacinas, de maneira análoga ao que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, no início do século XX, durante a Revolta da Vacina. Nesse sentido, é válido dizer que a divulgação de notícias falsas, popularmente chamadas de “fakes news”, e a facilidade de comunicação nas redes sociais são as maiores responsáveis pelo crescimento desse movimento que é baseado em “achismos” e sem comprovações científicas. Sendo assim, é importante que se desenvolva mecanismos para diminuir a influência desse movimento diante da população.

Além disso, é fundamental pontuar que a falta de informação possui grande parcela de culpa no reaparecimento de doenças que já haviam sido erradicadas no Brasil. Visto que, de acordo com Paulo Freire, educador brasileiro, a sociedade não é capaz de mudar sem o auxílio da educação, é possível inferir a importância dessa para que as demandas sociais, como a questão da saúde, sejam alcançadas. Em síntese, com uma população informada adequadamente sobre os mecanismos da vacina e seus possíveis efeitos colaterais, o Brasil terá menor probabilidade de ter casos de doenças já erradicadas, como a sífilis, sarampo e rubéola.

Portanto, é necessário que hajam ferramentas para resolver esse impasse. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com empresas de comunicação, como redes de televisão e produtoras, a criação de campanhas sobre a necessidade de vacinação, por meio do desenvolvimento de documentários a serem divulgados em escolas e nos canais de TV aberta, a fim de diminuir a influência do movimento antivacina. Ademais, é importante que o Ministério da Educação, em trabalho conjunto com os centros de pesquisas, facilitem a divulgação científica, mediante disponibilização de artigos e revistas científicas, para que as pessoas possam de informar melhor a respeito das vacinas. Assim, será possível encaminhar o Brasil no sentido do progresso científico.