O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

Ao longo dos anos, desde Rodrigues Alves, em 1902, projetos de saneamento, higiene e vacinação levaram ao controle de doenças no Brasil, como é o caso da poliomielite e varíola. Porém, nos últimos tempos, questões de estruturas sociais trouxeram o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, causado principalmente por movimentos antivacina, uma ideia velha já no país, vinda desde o desenvolvimento da vacinação.

Primeiramente, há de se mencionar a desinformação intrínseca à alguns brasileiros. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 1 a cada 5 crianças não são vacinadas, causando 1,5 milhões de morte de crianças todos os anos com doenças que poderiam ser evitadas por meio de imunização passiva. Doenças, como sarampo, cujo fim no país fora em 2016, voltou em março de 2018. Logo, a ideia errada e fake News de que a vacinação faz mal e até de causar desenvolvimento de autismo, por exemplo, vem sendo consolidada na comunidade, se tornando evidente como um dos principais culpados no ressurgimento de doenças extintas no Brasil.

Para complementar a ideia da organização do Estado como responsável pelo crescente de doenças que já não eram realidade, cabe citar Cristina Albuquerque, Chefe de Saúde e Desenvolvimento Infantil do Fundo das Nações Unidas (Unicef). Ela afirma a realidade social de crise financeira como causa para os pais terem longas jornadas de trabalho, gerando a falta de tempo e dinheiro para levarem seus filhos para vacinação, resultando na diminuição do alcance das vacinas. Outro fator é o não aparecimento das doenças, ou seja, a eficácia do método de prevenção, criando nas pessoas a ideia de que elas não existem ou que seus efeitos são exagerados pela mídia. Independente de qual seja dos motivos apontados, isso passa a ser uma parte da ordem social que deve ser mudada por trazer a volta de doenças.

É notório, portanto, a problemática da atual disposição, tendo em vista a falta de vacinação como principal causador do dano em questão. Então, é papel do governo federal, juntamente com médicos e biomédicos, mostrar aos pais e responsáveis, por meio de palestras e rodas de conversas altamente informativas e com dados, a fim de aumentar a consciência coletiva a respeito da importância e a real eficácia da imunização, promovendo, futuramente, o aumento do alcance das campanhas de vacinação e diminuindo o reaparecimento de doenças.