O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 13/08/2020

Em meados de 1904 ocorreu a revolta da vacina, que visava imunizar as pessoas contra as epidemias da época. Análogo a isso, em 2017, o Brasil viveu, em determinadas regiões, um surto de casos de febre amarela, doença até então controlada no país, desde as campanhas de vacinação no inicio do século XX. Esse fenômeno movimentou diversos debates acerca do reaparecimento de enfermidades erradicadas, que passam a sobrecarregar o já fragilizado sistema de saúde brasileiro.

É importante ressaltar, de início, a negligência escolar quanto ao reaparecimento e à propagação de diversas infecções. O pensamento do filósofo Kant retrata que “o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele”. Entretanto, as escolas brasileiras falham nesse processo de formação social ao se omitirem em relação às doenças reemergentes, que, em sua maioria, são transmitidas de pessoa a pessoa. Tal fato é ratificado pelo surto de sífilis, doença sexualmente transmitida, entre 2005 e 2014, que, segundo o Ministério da Saúde, acometeu cerca de 100 mil gestantes. Assim, uma população desinformada sobre as transmissões e as prevenções das doenças torna-se mais vulnerável ao seu contágio.

Outrossim, tem-se a influência do modo de vida atual nesse quadro caótico. Conforme o filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, o mundo pós-moderno é marcado pela fluidez e pela velocidade das transformações sociais. Nesse contexto, os indivíduos são submetidos a altas cargas de estresse e tensão, que levam a uma baixa na imunidade, favorecendo a disseminação de doenças. Além disso, a medicina contemporânea aponta o estressante cenário vigente como uma fragilidade que beneficia enfermidades recorrentes.

Diante dos argumentos supracitados, há relevância de fatores educacionais e sociais na temática. Nesse viés, as escolas e a mídia, em parceria com profissionais da área, devem orientar a população acerca do ressurgimento de doenças e medidas para minimizar o contágio. A ideia da atuação é, a partir de palestras e debates nas salas de aula, além de propagandas e telenovelas que abordem o tema, construir uma consciência coletiva acerca dessas enfermidades, reduzindo, assim, as taxas de propagação das doenças. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde alertar a população sobre os perigos do modo de vida contemporâneo, marcado pelo estresse. Essa intervenção deve contar com diálogos esclarecidos nos postos de saúde e campanhas na internet com o intuito de promover mais saúde aos brasileiros pela divulgação de informações importantes ao bem-estar dos indivíduos. Desse modo, o Brasil estará no caminho certo para reduzir, em partes, a sobrecarga do seu sistema de saúde, com a redução de casos de doenças precedentes.