O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/08/2020

O Sarampo foi tido como notificação compulsória no ano de 1968, causando epidemias de 2 em 2 anos e  matando milhares de crianças, principalmente abaixo de um ano. No entanto em 1992 foi criado o Plano Nacional de Combate ao Sarampo, que reduziu em 81% o número de casos. Além disso, em 2016 o Brasil recebeu o certificado de país livre da doença. Entretanto em 2019 o país perdeu esse título, porque essa doença praticamente erradicada voltou a reaparecer. O ressurgimento de doenças já cessadas causa uma série de problemas de ordem econômica e social, e muitas vezes estão relacionadas a precariedade socioeconômicas.

Primeiramente é preciso ressaltar que a volta de doenças erradicadas traz para o Brasil consequências negativas, como aumento de gastos com a saúde pública. Segundo a revista Veja, em 2019 o Governo Federal gastou 5,3 bilhões de reais no combate ao surto de sarampo, dinheiro que poderia ser investido em outras áreas da saúde, como no combate para erradicação de outras doenças ainda endemicas no território nacional, por exemplo a dengue e a hanseníase. Sendo assim, o país acaba não progredindo na qualidade da saúde de seus habitantes, evidenciando um outro agravante, os problemas socioeconômicos do Brasil.

Em segundo lugar, vê-se que as possíveis causas da volta de doenças já erradicadas são situações de vulnerabilidade econômica. De acordo com o Ministério da Saúde, em janeiro de 2019 a região mais afetada do país pelo sarampo era o Norte. E ainda dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica, IBGE, aponta a Região Norte como uma das mais pobres do Brasil. Observando as pesquisas, vê-se que a condição de pobreza está relacionada diretamente com o ressurgimento dessas doenças, uma vez que a população não possui condições financeiras de se proteger e estão a mercê do Estado.

Em suma, vê-se a necessidade de medidas  serem tomadas para que não haja o ressurgimento de doenças já erradicadas. A primeira delas é que o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Economia façam um mapeamento das áreas que precisam mais urgentemente de suporte, para que invistam em profissionais, estrutura, medicamentos e vacinas para esses locais. Após certo tempo, esses investimentos devem ser expandidos para as demais áreas, e assim a rede de saúde pública estará fortificada e atenderá a demanda da população. Dessa forma o país dentro de alguns anos teria os investimentos retornados, uma vez que medidas profiláticas são mais rentáveis do que o tratamento. Então o dinheiro que seria gasto com a saúde poderia ser aplicado em outros campos, como na educação e tecnologia, ampliando cada vez mais o desenvolvimento.