O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/08/2020

No final do século XX, o médico britânico Andrew Wakefield publicou, na revista científica The Lancet, um estudo apontando uma possível relação entre a vacina tríplice viral e o desenvolvimento do autismo. Todavia, a revista de medicina reconheceu a falha ao publicar o estudo sem embasamentos e se retratou publicamente. No entanto, muitos pais continuaram com receio de vacinar seus filhos, dando mais forças ao movimento antivacina. Analogamente, no contexto brasileiro atual, essa corrente de pensamento está entre as causas do reaparecimento de doenças erradicadas, juntamente com a falta de saneamento básico. Sendo assim, urge a análise e a resolução desses entraves para o fim do réves.

A princípio, vale citar especialistas das Nações Unidas, que apontam a importância de se investir em saneamento básico. Segundo eles, a cada U$1 gasto com tratamento de esgoto, são economizados U$4 em atendimento de saúde. Todavia, não são todas as pessoas do Brasil que tem acesso a esse direito básico e a condições propícias de higiene. Para se ter uma noção, de acordo com a OMS, no mundo 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a uma água segura e 4,2 bilhões não têm saneamento básico. Isso nos evidencia um desafio múltiplo, não somente pela falta de acesso a direitos essenciais das pessoas, mas pelo agravamento das consequências dessa escassez para a proliferação de micro-organismos causadores de doenças.

Além disso, uma comunidade que prega o fim da vacinação, por meio de divulgações de notícias falsas, representa um retrocesso para sociedade. Conforme o conceito de “Mortificação do Eu”, do sociólogo Erving Goffman, é possível entender que essas fake news induzem o indivíduo a ter um comportamento alienado. Tal preceito afirma que, por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Por conseguinte, a taxa de imunização pelas vacinas cai, como prova os dados da OMS: nos últimos anos, a meta de cobertura populacional foi de 95%, entretanto, na maioria dos estados brasileiros, não atingiu-se nem 75% da população.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma política populacional aplicada à escala mundial a fim de que diminua os adeptos a ideologia antivacina. Para que isso ocorra, é necessário que a Organização das Nações Unidas proporcione, juntamente com o órgão responsável pela saúde de cada país, palestras e anúncios, que visem demonstrar a importância de métodos imunizantes. Ademais, o governo federal deve reduzir o tempo de análise dos projetos de saneamento básico e os estados precisam dar mais celeridade às licenças ambientais e apoio às empresas de saneamento. Por sua vez,as empresas de esgotos precisam capacitar seu pessoal para fazer melhores projetos. Assim, haverá um ambiente que colabore com a saúde do mundo.