O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2020
O debate acerca do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, assumiu, nos últimos anos, caráter passível de reflexão. Caracterizá-lo, desse modo, implica constatar não só a disseminação, como também os inúmeros óbitos locais. Nesse diapasão, a falta de informação da sociedade e a ausência de medidas mais eficazes, dificultam a resolução desse problema social, configurando-o um empecilho para a erradicação definitiva dessas doenças no país.
Em primeira abordagem, cumpre salientar a disseminação dessas enfermidades. Cabe enfatizar, de início, que a proliferação na maioria das vezes ocorre de maneira veloz, acometendo rapidamente os estados brasileiros. No entanto, doenças como a dengue, sífilis, sarampo, gripe A, entre outras, foram aniquiladas do país anos atrás, mas retornaram e algumas delas mais resistentes do que antes. Além disso, a falta de informação da sociedade em relação a esse problema é um fator preocupante, pois, a ausência de prevenções colabora para a expansão da doença. Outrossim, o movimento antivacina, cresce a cada ano, preocupando especialistas da área da saúde, em especial a OMS (Organização Mundial da Saúde) que de acordo com uma publicação no site da Revista Veja, em janeiro de 2019, “considera o movimento antivacina uma ameaça à saúde mundial”. Isto Posto, torna-se evidente a contribuição desse movimento para o reaparecimento de patologias e consequentemente sua difusão.
Em segunda análise, o ressurgimento dessas enfermidades erradicadas no Brasil, vai de encontro com inúmeras mortes. Entretanto, a ausência de medidas mais eficazes por parte do governo e da sociedade agravam esse problema, dificultando o seu combate. Ademais, as classes menos favorecidas são as mais atingidas em meio a um surto de doenças, devido a falta de estrutura nas casas e bairros que estão intrinsecamente ligados a higiene, falta de recursos para se prevenirem, entre outros. Nesse prisma, torna evidente que a desigualdade social faz com que os pobres fiquem mais vulneráveis na sociedade e levados à fatalidades.
Em face do exposto, urge que o Ministério da Saúde invista em mais compras de vacinas, inclusive aquelas que são encontradas apenas em unidades particulares e distribua nos postos e UPAs dos estados. Além disso, o governo também entraria com recursos para a construção de infraestrutura, asfaltamentos e saneamento básico em todas as periferias e regiões mais carentes do Brasil, ambas com o intuito de levar mais segurança e prevenção à sociedade. A mídia por sua vez, com apoio do Estado, faria propagandas educacionais na tv, falando da importância da vacinação e os riscos da sua não aplicação, com a finalidade de levar informação e conscientizar a população. Talvez, desse modo, o combate ao reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil seja realmente eficaz.