O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 14/08/2020

Hodiernamente o Brasil conta com recursos importantíssimos que permitem que várias doenças já não circulem mais entre a população. Sendo uma das maiores descobertas da medicina, a vacina atua como importante agente impedindo as infecções. O Brasil teve sucesso em combater diversas epidemias no passado, porém, atualmente alguns vírus que eram considerados erradicados voltaram a infectar indivíduos e outros vírus em potencial estão em observação. Tais eventos se dão pela negligência dos cidadãos com a vacinação  e pelo chamado “efeito rebanho”, que atrelados, causam o triste cenário.

Em primeiro lugar, é necessário ressaltar que a globalização, através do grande fluxo de pessoas em diferentes países, contribuiu para a disseminação de vários vírus e consequentemente causou grandes surtos. Dessa forma, o que permitiu evitar maiores prejuízos foi o desenvolvimento de vacinas específicas para cada doença. As pessoas vacinadas se imunizam contra determinada enfermidade e isso permite, em escalas maiores de imunização, a erradicação do vírus. Em meio à ocorrência de casos de sarampo na cidade de São Paulo em 2019, constatou-se que pelo menos 75% dos jovens entre 15 e 29 anos, que representavam mais de 300 casos da doença, não teriam sido imunizados contra ela quando crianças. Isso se daria pela segunda dose da vacina tríplice viral, aos 15 meses de idade, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Além do mais, o desleixo se reflete também no fato de mais de 60% da população brasileira não estar com a caderneta de vacinação atualizada, e colocar em risco a vida de outras pessoas além da sua.

Em segundo lugar, e conectado com o âmbito das vacinações, observa-se o ‘’efeito rebanho" ou também conhecido como imunidade de grupo. O fenômeno acontece quando a taxa de vacinação de uma população é tão grande que mesmo os poucos indivíduos não vacinados que vivem nesse meio, já ficam protegidos pelos que se vacinaram. Entretanto, ocorrendo em sentido contrário, onde a maioria não se vacina e contamina cada vez mais pessoas, traz desfechos catastróficos.

Portanto, em vista dos fatos observados, cabe ao Governo Federal, no título de principal detentor das verbas da União, e ao Ministério da Saúde - articulador de estratégias que garantem a vitalidade da população, colocar em prática ações que contornem a situação. Dentre elas, pode-se destacar campanhas de vacinação com apoio de influenciadores digitais, bem como um maior controle das doenças com potencial de surto e uma maior distribuição de vacinas gratuitas. Tais estratégias, em conjunto com o apoio dos cidadãos brasileiros, poderão evitar e controlar o reaparecimento de doenças já erradicadas no Brasil.