O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
As estatísticas evidenciam o inegável avanço da medicina no diz respeito a erradicação e controle de doenças bacterianas e virais que assolaram outras épocas. No entanto, essa realidade tem mudado, contrastando com a suposta modernidade do século XXI. O que está acontecendo é o reaparecimento de muitas doenças taxas como erradicadas, tanto no Brasil como no mundo. Em 2011, uma criança não vacinada contraiu Sarampo e causou a contaminação de 7 bebes em São Paulo. Essa realidade é preocupante e pode ser considerada fruto tanto do crescente movimento antivacina quanto do modelo econômico adotado no mundo.
Numa primeira análise, o capitalismo e a forma como ele está estruturado propicia o reaparecimento de muitas doenças. Segundo Karl Marx, sociólogo alemão, por meio do conceito de Materialismo Histórico, a realidade econômica é que determina a realidade social. Ou seja, aplicando seu conceito, o reaparecimento do sarampo e da tuberculose, por exemplo, está relacionada com as elevadas taxas de urbanização, com péssima infraestrutura urbana, com a exploração do trabalho, e outros tantos elementos que precarizam a qualidade de vida e aumentam as formas de transmissão, que especificamente nessas doenças ocorre pelo contato. Assim, o capitalismo financeiro que marca o inicio deste século tem forte impacto social, majoritariamente negativo e parcial, considerando que as populações mais atingidas são as mais vulneráveis econômica e socialmente.
Em segunda análise, também relacionado ao modelo de desenvolvimento das sociedades, o crescente movimento antivacinação é fruto da individualização da sociedade. Muitos pais e responsáveis ao deixarem de vacinar seus filhos, não têm se atentado à outras realidades, não têm refletido sobre o impacto de suas ações. Ao negar a vacina e justificar-se com argumentos inverídicos como a relação entre vacina e autismo, proposta por Andrew Wakefield, em 1998, ou acreditar que a vacina sobrecarrega o sistema imune, esse movimento ignora os grupos de risco, ignora as pessoas que não podem se vacinar, seja por falta de condição financeira, seja por ausência de infraestrutura estatal. Não somente, no Brasil, a não vacinação infantil infringe o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que afirma que a imunização é obrigatória. Logo, o movimento antivacina aumenta as tensões sociais e piora a realidade dos mais vulneráveis.
Portanto, o reaparecimento de doenças erradicadas está intrinsecamente relacionado a organização econômica e social das sociedades contemporâneas. Para combater essa realidade, o ministério da saúde deveria ser autorizado a aplicar multas, por exemplo, àqueles que se negarem a vacinar seus filhos, coibindo, assim, a expansão de movimentos antivacinas e novas epidemias.