O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 17/08/2020

O avanço da ciência proporcionou, de forma satisfatória, o controle de diversas doenças infectocontagiosas. Um dos reflexos dessa modernização tecnológica foi sentido no Brasil quando, no ano de 2016, o país recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) um certificado de erradicação do sarampo. Todavia, a falta de letramento científico da população corroborou no surgimento do movimento “anti-vacina”, dando espaço, assim, para o retorno de doenças e, por consequência, crises na saúde pública.

A priori, cabe enfatizar o efeito da globalização, afinal, o mundo em movimento é, claro, base para o transporte viral. Além disso, a falta de alfabetização científica dá espaço para a criação de movimentos ideológicos que vão contra o bem estar social. Partindo desse pressuposto, mesmo que algumas pessoas saibam da existência da vacina, o entendimento de como ela funciona não é democratizado e, portanto, assim como na Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, em 1904, o medo dos efeitos da vacina podem vir à tona. O resultado, infelizmente, é a falta de importância dada a esse meio de prevenção e o reaparecimento de doenças.

Em consideração ao exposto, é preciso afirmar que o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos mais completos mundialmente e, dessa forma, garante todas as vacinas de forma gratuita e acessível. No entanto, o movimento anti-vacina prega que o fornecimento dessas vacinas pelo Estado é desnecessário, apostando na imunização através de uma boa alimentação e, até mesmo, pela infecção da doença. Desse modo, um grande risco é o meio infantil, visto que, se a tutela dos infantes for de adultos adeptos a esse movimento, uma criança não imunizada pode infectar vários indivíduos, gerando surtos na saúde pública. Um exemplo é que, no ano de 2018, após 2 anos do certificado da OMS, o Ministério da Saúde confirmou mais de 10 mil casos de sarampo.

Infere-se, portanto, que prezar pela saúde é incentivar campanhas de vacinação. Nesse viés, tomando por base o pensamento de Eduardo Massad, médico epidemiologista, vacinas devem ser obrigatórias. Assim, para evitar doenças reemergentes, faz-se necessário uma parceria entre o Ministério da Educação e da Saúde. Primeiramente, essa parceria deve utilizar da mídia para, assim, repassar informações sobre o processo de vacinação, combater fake News e disseminar a necessidade de cumprir o calendário proposto pelo Estado. Por fim, as escolas podem exigir como condição para as matrículas anuais a caderneta de vacinação atualizada, dessa forma, poderá ser evitado que doenças já erradicadas retornem, como ocorreu com o sarampo.