O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
Segundo Isaac Newton, para toda ação existe uma reação intensidade e sentidos contrários. Portanto, ignorando esse princípio físico, representativa parte da população brasileira insiste em fechar os olhos para doenças já erradicadas, o que pode explicar, por exemplo, os altos índices no país. O fator preocupante é movimento antivacina configurar um fator de risco para várias outras enfermidades que comprometem a saúde. Com efeito, a efetiva cobertura vacinal pressupõe que se reconheça a importância dos métodos de prevenção, sob pena de prejuízos a saúde pública.
A princípio, a resistência popular às campanhas de vacinação representa obstáculo para o controle de doenças. A esse respeito, o sanitarista Oswado Cruz implanta em 1904 políticas de imunização compulsória, que foram repudiadas pela população da época. Essa rejeição coletiva ficou conhecida como Revolta da Vacina e foi motivada por notícias falsas e por pouca-ou nenhuma informação em torno das estratégias de prevenção. Ocorre que a resistência enfrentada no início do século passado se mantém no Brasil Contemporâneo, inclusive pelos mesmo motivos de 1904, e evidencia retrocesso à saúde pública. Nesse sentido, não é razoável que, mesmo sendo Nação Pós-Moderna, ainda se mantenha na contemporaneidade o repúdio à vacinação combatido por Oswado Cruz.
De outra parte, a baixa adesão ás campanhas se deve à ilusão de que as patologias deixaram de existir. Nesse viés, o médico Mourice Hilleman foi um dos responsáveis pelo controle do sarampo, após elaborar a vacina Tríplice-Viral em 1963. Assim, houve redução de contágio e total eliminação da doença em 2016, como foi certificado pela OMS. Todavia, substancial parcela dos brasileiros nutre a falsa impressão de que o sarampo- e as demais infecções virais-restringem-se a época de Hilleman. Essa indiferença coletiva às enfermidades inviabiliza a sua prevenção e possibilita um dos problemas em grave eminências:a reemergência de vírus erradicados.
Impede, pois, que o reaparecimento de doenças no Brasil deixem de ser um problema. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com escolas, deve desconstruir as noticias falsas como as que invalidam a eficácia das vacinas, por meio de aulas de biologia realizadas com frequência, para que a resistência à imunização deixe se ser realidade no país. Por sua vez, os indivíduos, manifestando o seu senso crítico, podem veicular conteúdos nas mídias sociais com veemência, por intermédio de grupos de apoio às campanhas vacinais, realizadas gratuitamente pelo SUS, a fim de que o controle de patologias seja de fato erradicada.