O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/08/2020

Algumas das doenças erradicadas do século XX responsáveis por milhões de mortes no mundo todo, como sarampo, têm reaparecido no Brasil e no mundo. Essa incidência é motivada pelo crescente movimento antivacina que tem ganhado força porque os seus apoiadores desconhecem a realidade de uma sociedade não vacinada. Uma vez que, a eficiência da vacina e a construção do efeito rebanho pela geração anterior possa ter causado a falsa sensação de que as doenças não existem mais.

Como resultado da alienação, provocada pelo movimento antivacina, observa-se o reaparecimento de doenças no Brasil que poderiam ser facilmente prevenidas. Muitos pais e responsáveis têm sido influenciados a não vacinarem seus filhos e não percebem a importância da prevenção porque já gozam da eficiência da vacina há algumas gerações. O sucesso da vacina somado aos esforços de toda uma sociedade em se unir para se prevenir potencializa a eficiência da vacina, pois constrói o chamado “efeito rebanho” ou “imunidade de grupo” que diminui o poder da transmissão e protege aqueles que não podem se imunizar como recém nascidos e deficientes imunológicos.

Quando, individualmente, se escolhe não vacinar o efeito rebanho vai sendo prejudicado e as transmissões podem chegar a grupos de risco que estão vulneráveis por causa daqueles que, podem se prevenir mas, escolhem “individualmente” não fazê-lo. Portanto, a decisão de não vacinar pode parecer individual, mas é uma questão de saúde pública, um exemplo disso foi o que aconteceu em 2011 quando uma única criança não vacinada contraiu sarampo e acabou transmitindo para 7 bebês menores de 1 ano, de acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Portanto, esse caso exemplifica como a decisão individual tem consequências na sociedade e afeta os mais vulneráveis.

Por isso o ECA declara, em seu artigo 14, que é obrigatório a vacinação em crianças e não uma escolha dos pais, sendo passível de responder criminalmente por seus atos. Leis como esta e programas de conscientização são essenciais, para que a imunização seja normatizada e compreendida como necessária para que essas doenças transmissíveis voltem a ser erradicadas ou controladas. Para tanto se faz necessário maior investimento pelo Ministério da Saúde no programa brasileiro PNI (Programa Nacional de Imunização) reconhecido mundialmente, através de maiores verbas destinadas para a criação de comerciais e informativos destinados a conscientizar a população quanto a importância da vacina, da obrigação dos pais em imunizar seus filhos e desmistificar os medos acerca dos efeitos colaterais da vacina. Além disso também é importante que o SUS receba maior investimento para atender essa demanda, com mais médicos (as), funcionários e material.