O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
A Revolta da Vacina, episódio da história marcado por uma revolta popular, mostra que, mesmo com medidas benéficas adotadas pelo governo, pode haver embates violentos se a população não for conscientizada acerca de tais medidas. Analogamente percebe-se, na sociedade da contemporaneidade, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, evidenciando a ineficácia do Estado em informar e combater a desinformação. Vale, desta forma, a análise premente desse quadro.
A princípio, com a consolidação das conquistas garantidas pela Constituição de 1988 na criação do Sistema Único de Saúde, pode-se pensar que os dias de epidemias e de doenças preveníveis estariam contados. Entretanto, o que percebeu-se foi o ressurgimento de doenças que, ao longo das primeiras décadas do século XXI, haviam sido erradicadas, tais como a poliomielite, rubéola e sarampo. Foi, por exemplo, o que ocorreu na cidade de Manaus no Amazonas, em 2019, onde houve um surto de sarampo, atingindo milhares, de acordo com o jornal “Folha de São Paulo”.
Diante de tal conjuntura sanitária e social, houve um crescimento de grupos virtuais promovendo a desinformação, vinculando autismo com a vacina, dentre outros malefícios que tal prevenção pode causar. Tais movimentos se recrudesceram desde a publicação, na revista científica “The Lancet”, de um artigo correlacionando a vacina com autismo, embora, posteriormente, sucessivos estudos tivessem desmentido tal correlação. Concomitante à tal crescimento vertiginoso dos movimentos antivacina, soma-se a incapacidade de resposta pública no combate à desinformação, o que agrava ainda mais o problema.
Portanto, faz-se mister a adoção de medidas para a resolução de tal problemática. Assim, o Estado, representado pelo Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Cidadania, deve empreender uma campanha nacional de conscientização acerca da importância da vacinação em crianças. Tal campanha será realizada por meio de veículos de comunicação e propagandas nas mídias sociais, lugar por onde disseminam-se tais desinformações, sendo elaboradas por técnicos da área das ciências médicas. Somente dessa forma tal problema será solucionado.