O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

Poliomielite, doença infecciosa cujo auge epidemiológico no brasil foi entre 1920 e 1980, foi considerada erradicada antes dos anos 90 graças às inúmeras campanhas de vacinação. Ainda que essa patologia tenha marcado negativamente o cenário brasileiro, principalmente ao causar a paralisia infantil, acaba -se encontrando tal enfermidade na lista daquelas que estão voltando a assolar a nação. Entre as diversas causas desse evento, pode-se citar a disseminação de informações falsas e a falta de interesse popular quanto ao conhecimento da profilaxia de tais doenças.

Em primeiro plano, é necessário relembrar quão constantes são as conhecidas “fake news” no âmbito da saúde. Principalmente após a fixação das redes sociais como método de comunicação no Brasil, a quantidade de informações falsas sendo repassadas entre familiares e amigos influencia diretamente na formação de crenças populares que permitem a volta de doenças erradicadas no país. O Jornal ‘Correio Brasiliense’, por exemplo, mostra o resultado da circulação de correntes em texto, muito presentes em aplicativos como o Whatsapp, relatando uma possível ligação entre vacinação e uma alta na mortalidade infantil: a redução dos índices de vacinação de 80% para 55%. Sob esse viés, é claro o impacto dessas ocorrências na realidade social, uma vez que atuam diretamente na redução da saúde e qualidade de vida popular.

Em segundo plano, é importante ressaltar a formação cultural brasileira como uma de baixa valorização ao conhecimento científico. Evidentemente, isso se dá pela grande porcentagem populacional que se desenvolve sem oferecimento de boa escolaridade, ainda que o enraizamento desse costume atinja todas as camadas do país. Com isso, é ainda mais perceptível a dificuldade encontrada em dar uma maior quantidade de informações para o povo atual, incluindo a profilaxia das doenças e, assim, os brasileiros viram agentes ativos na expansão dessas patologias. Um infectologista entrevistado pela revista ‘Crescer’ expôs a situação na qual os pais estão evitando a vacinação de seus filhos, contribuindo para a contaminação e até falecimento das crianças, pela falta de conhecimento por parte destes e ainda disse que “As pessoas precisam saber que essas são doenças altamente transmissíveis e as baixas taxas de imunização contribuem para um possível desastre”.

Diante do exposto, é necessário garantir a mudança desse quadro. Inicialmente, as empresas gerenciadores das redes sociais devem, por meio de uma melhoria no formato dos aplicativos, aplicar uma trava para a disseminação de fake news entre os usuários. Posteriormente, o Ministério da saúde pode garantir mais propagandas informativas pelas rádios e televisões, utilizando-se da verba repartida para o cuidado público. Com essas duas medidas seria possível re-controlar as patologias em vigor.