O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 15/08/2020
O Brasil em 1904 presenciou a Revolta da Vacina: parte significativa da população não compreendia como funcionava a vacina anti-varíola e com receio de tomá-la foram às ruas em sinal de oposição se manifestarem. É inegável que de 1904 à 2020, a questão da saúde pública brasileira, mudou em vários aspectos. No entanto, o aumento do índice de cidadãos que não acreditam na eficácia das vacinas e a precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS) estão corroborando para o retorno de doenças erradicadas.
Em primeira análise, vale destacar que a disseminação de notícias sem embasamento cientifico a respeito da imunização, por exemplo, faz com que inúmeros pais confiem na ineficácia dessas bem como que são prejudiciais e assim, optam por não vacinar seus filhos. Nesse sentido, o filósofo Francis Bacon estava certo ao defender que “Saber é poder”, sob essa óptica, se essas famílias soubessem a relevância da vacinação, certamente, não deixariam de realizá-la. Desse maneira, haveria a diminuição das doenças antes consideradas erradicadas,como o sarampo.
Ademais, vale ressaltar que, em algumas regiões brasileiras o SUS se encontra em situações precárias.Nesse contexto, não é raro encontrar cenários nos quais falte a vacina necessária, essencialmente, naquelas mais isoladas geograficamente dos grandes centros urbanos. Sob esse viés, as famílias de menor poder aquisitivo, diversas vezes, não se encontram em condições de viajar quilômetros, por exemplo, para conseguir vacinar as crianças. Desse modo, aumenta-se,mais uma vez, a probabilidade do retorno de enfermidades que poderiam ser evitadas.
Portanto, a volta de doenças antes consideradas como cessadas, deve-se, essencialmente, a questão da vacinação. Para a conscientização da população a respeito da problemática, urge que o Ministério da Saúde promova, por meio de verbas governamentais, palestras com profissionais da área da saúde nas escolas bem como no meio televisivo aberto, objetivando atingir um maior número de pessoas e que estas fiquem bem informadas acerca da importância da imunização. Além disso, faz-se necessário que o mesmo invista na intensificação da imunização em regiões mais isoladas. Dessa forma, o cidadão brasileiro estará menos vulnerável às doenças que deveriam ter ficado no passado.