O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

A (Re)Revolta da vacina

Em 1904, durante o governo de Rodrigues Alves, houve uma revolta popular contra a vacinação obrigatória. Muito pelos costumes datados daquele momento, ou pelo fato da vacina inserir o próprio vírus, atenuado ou morto, no organismo, assim gerando uma resposta imune. Claro que a população em massa, especialmente a classe mais pobre, não tinha essa informação. Em 2020, algo parecido pode explicar o reaparecimento dessas doenças, que diferente do que ocorreu no século XX, a ciência, com fatos comprovados, está sendo questionada.

A priori, essa refutação de fatos comprovados tem uma carga política e econômica, de uma aristocracia qual busca manter seu status. Por exemplo, a negação das mudanças climáticas procurando sustentar o agronegócio e seus meios de produção. Esse tipo de discurso conservador atingem uma massa significativa de apoiadores. Então, o ressurgimento do sarampo no Brasil, afetando justamente o grupo de crianças em fase de vacinação, pode ser compreendido nesse momento de alienação das massas.

Por outro lado, o ressurgimento de doenças erradicadas podem estar relacionados a natureza socioeconômica de uma população. Em países subdesenvolvidos, o acesso a vacina é muito precário. Seja pela pobreza ou por ser fisicamente afastado, como acontece em tribos mais remotas na África. Mesmo o Brasil sendo um país em desenvolvimento e estar inserido no BRICS como país emergente em destaque, a desigualdade brasileira ainda é muito marcante.

Enfim, para controlar a epidemia de doenças até então extinta, requer um esforço na divulgação científica como fato irrefutável e também um amparo para comunidades necessitadas na questão de saúde. Tornar a ciência acessível e mover centros de tratamento e postos de vacinação para áreas isoladas, além de abastecer propriamente, com aparato para garantir esse atendimento, é um início para uma próxima erradicação.