O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 15/08/2020

O Brasil tem enfrentado o reaparecimento de doenças transmissíveis, algumas, já consideradas erradicadas dos mapas epidemiológicos. O perfil de adoecimento de uma população é compatível com os seus modos de viver e pensar, por isso, novos e velhos problemas de saúde coexistem. O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável pelo ordenamento das políticas públicas de cuidado à saúde da população, garantindo acesso a direitos sociais  especificados na Constituição Federal. No entanto, embora grande parte da responsabilidade seja atribuída ao Estado, a sociedade civil é corresponsável pelo bem estar coletivo e, o individualismo, característico das sociedades contemporâneas pode ser um fator prejudicial a esse pensamento.

Nesse ínterim, os famosos movimentos antivacina vêm ganhando destaque no cenário nacional e provocando, consequentemente, severos danos a saúde pública no país. Um exemplo é a perda da certificação internacional de erradicação do sarampo, ocorrida no ano de 2019 no Brasil. Nesse contexto, destaca-se o pensamento de Maquiavél, filósofo da suspeita, quando aponta a necessidade de perceber a maldade do homem como uma realidade, para assim, lidar com ela. Ou seja, não há de se esperar que o homem seja sempre puro e altruísta em suas ações. Hoje, no auge do capitalismo e globalização, na contramão da alta conectividade mundial oferecida pelos meios de comunicação, ocorre no nosso país, o individualismo exacerbado afetando a manutenção da saúde pública.

Ademais, além de doenças transmissíveis por via aérea e contato interpessoal, as doenças que necessitam de um vetor para a sua disseminação também apresentam alta incidência, como o caso da tríade dengue, chikungunya e zika. Nesses exemplos, é fácil perceber a concretização do pensamento do filósofo Bauman, em suas teses sobre a liquidez dos laços humanos, quando se observa que, para a aquisição da proteção à saúde da coletividade, seria necessária a adoção de medidas e mudanças comportamentais simples, como a vacinação, o uso de máscaras e a não acumulação de água.

Portanto, é urgente a intervenção estatal para o desenvolvimento de ações educativas, em parceria com escolas, universidades e grupos de terceira idade, contemplando de crianças à idosos, ensinando sobre responsabilidade social, cidadania, cuidado ao meio ambiente e saúde pública. Ainda assim, medidas mais intensivas podem ser adotadas, a partir da ação dos agentes de combate à endemias nos municípios brasileiros, disseminando informação sobre prevenção e combate a doenças infectocontagiosas e, por fim, adoção, por parte do governo, de sanções punitivas para aqueles que, por infração de norma de saúde pública, expuserem a saúde da população a um risco evitável.