O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2020
Sarampo, varíola, tuberculose, febre amarela, poliomielite: essas são algumas das doenças que no passado assolavam a humanidade, mas graças à criação da vacina, pelo médico Edward Jenner, no século XVII, tiveram sua letalidade controlada ou até mesmo foram erradicadas. Entretanto, hodiernamente, vê-se o crescimento alarmante do movimento anti-vacina que, dentre “fake news” e ideologias, tem contribuído para o reaparecimento de doenças consideradas erradicadas no Brasil, o que torna necessário discutir os efeitos desse cenário na saúde pública.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o movimento anti-vacina tem ganhado adeptos que colocam não só a vida de seus filhos em risco, mas também a de milhares. Nesse contexto, o então médico Andrew Wakefield, em um estudo publicado na revista The Lancet, alegava existir ligação entre a vacina Tríplice Viral e o desenvolvimento de autismo em algumas crianças, porém tal estudo foi forjado. Contudo, mesmo após tanto tempo, diversas pessoas, infelizmente, tomam essa “fake news” como verdade e dão voz a esse perverso movimento que só trouxe malefícios à sociedade, como o ressurgimento de surtos de sarampo.
Em segundo lugar, não cabe exclusivamente aos pais, pautados em ideologias, decidir se devem levar ou não seus infantes para receber os esquemas de vacinação, disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse panorama, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), vacinação é um direito a ser cumprido, pois é uma intervenção de saúde pública fundamental, pois não apenas protege aqueles que recebem a vacina, mas também ajuda na proteção de todos. Desse modo, felizmente, evita-se que doenças antes erradicadas, como febre amarela e poliomielite, por exemplo, sejam disseminadas para quem não possui um sistema imunológico eficiente.
Em suma, nota-se que o ressurgimento de doenças já controladas no Brasil poderia ser evitado se parte da população não subestimasse a eficácia das vacinas. Para voltar ao cenário de erradicação, é necessário que o Poder Público, por meio do Ministério da Saúde, crie campanhas educativas, fazendo-se uso de palestras com cientistas renomados da área, os quais devem orientar a nação a respeito dos benefícios da vacinação para o bem-estar coletivo e, também, criar e abordar de forma lúdica, uma linha do tempo que evidencie como era a vida antes e depois do surgimento da vacina, com o objetivo de conscientizar a sociedade. Assim, o espaço para propagação de “fake news” e de doenças, será ocupado pela disseminação de conhecimento e de saúde.