O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/08/2020

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou, apesar da eficiente vacina, 157 infectados pela H1N1 no primeiro trimestre de 2016. Esses dados revelam o preocupante reaparecimento de doenças já controladas em território nacional. Tal realidade é consequência não somente da ineficiência dos meios de conscientização, mas também da crescente pseudoautoridade de movimentos anticientíficos.

Parafraseando a filósofa Marcia Tiburi, vale ressaltar a ignorância - ausência de informação e conhecimento - como a causa para a ‘‘defesa do indefensável’’. Partindo para o tablato epidemiológico, a falta de acesso a meios informacionais, impede a correta e acessível prevenção de determinadas doenças. Esse é o caso da Sífilis, uma infecção sexualmente transmissível, que, segundo um levantamento de dados do Ministério da Saúde, registrou mais de cem mil gestantes infectadas entre 2005 e 2014, mesmo com a fácil disponibilidade de preservativos. Dessa forma, se faz necessário uma campanha de conscientização mais eficiente.

Além disso, o filósofo positivista August Comte dissertou sobre o desenvolvimento da sociedade como consequência inerente ao avanço científico. No entanto, apesar da evidente importância dos avanços científicos, o comportamento humano é uma importante variável para o desenvolvimento social. Dessa forma, grupos antivacina, alavancados pela pseudoautoridade que têm nas redes sociais, são responsáveis pela disseminação de desinformação, opondo-se ao principal método de imunização artificial, as vacinas. A existência de grupos anticientíficos como esses ocasiona um forte impacto negativo à sociedade: o aparecimento de enfermidades reemergentes, devido à maior quantidade de pessoas como vetores de transmissão dessas doenças.

É necessário, portanto, que as instituições de ensino conscientizem os estudantes e seus responsáveis da existência e prevenção das doenças, por meio de seminários e palestras compostas por epidemiologistas e demais profissionais da saúde especializados na área, visando formar indivíduos aptos e conscientes das prevenções existentes para cada doença. As redes sociais, por sua vez, devem diminuir a desinformação referente a saúde publica em  sua comunidade, desenvolvendo ferramentas de denúncia a publicações que divulgam falsas informações médicas. As denúncias realizadas nessas ferramentas, devem ser analisadas por pessoas especializadas em crimes virtuais para enfraquecer movimentos criminosos nocivos ao corpo social e , dessa forma, erradicar outra vez as doenças controláveis.