O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2020
Em 1928, Alexandre Fleming descobriu a penicilina e salvou milhões de vidas. O antibiótico foi usado no tratamento de doenças respiratórias e, com sua eficácia científica comprovada, Fleming recebeu o prêmio Nobel de medicina. Mormente, o que se observa é a ascensão popular de desqualificação da ciência e, portanto, emerge a necessidade de reforçar, através de campanhas publicitárias, a credibilidade da classe científica e abarcar investimentos para a área. Nesse contexto, convém analisarmos a descredibilização da ciência e as principais consequências.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar as implicações sociais que podem ser geradas com o descrédito científico. O movimento contra vacinação nos Estados Unidos, por exemplo, ganhou notoriedade apoiado em teorias conspiratórias que se espalharam nas redes sociais. A consequência foi um grande surto de sarampo em 2014 (doença que havia sido eliminada nos EUA em 2000). Isso ocorre, pois, o controle da doença depende da cobertura da vacinação. Durante a infecção, milhões de novas partículas virais são criadas, com diversas mutações. Essas mutações aleatórias podem deixar o vírus subitamente mais agressivo – ou até mesmo resistente à vacina. Nessa lógica, a pessoa contaminada pode transmitir para outra pessoa vacinada, ocasionando a ressurgência da contaminação.
Segundo dados da última pesquisa de indicadores nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, o Brasil investiu 1,26% do PIB em pesquisa e desenvolvimento. Valor fica bem abaixo de países que lideram a corrida tecnológica – como a Coreia do Sul (4,55%). Segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada para alcançar o equilíbrio na sociedade, entretanto isso não ocorre no Brasil. O atual presidente da república Jair Bolsonaro, não só baixou o investimento financeiro em pesquisa, como também fez propaganda de medicamento sem eficácia científica comprovada. Além disso, também incentivou a população a não seguir as orientações passadas pela Organização Mundial da Saúde para combater a propagação do vírus covid-19. De maneira análoga, países que seguiram as orientações obtiveram um índice de mortalidade menor e já conseguem retomar aos poucos a economia.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério de Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nos meios midiáticos que detalhem a metodologia do trabalho científico. Elas deverão abordar o “porquê” de seguir orientações comprovadas cientificamente e sugerir ao cidadão o hábito de se informar através delas. Por conseguinte, tal iniciativa pouparia muitas vidas e melhoraria a eficácia da saúde.