O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 18/08/2020
Em 1904, no Rio de Janeiro, com a Revolta da Vacina, — devido a carência de saneamento básico e o acúmulo de toneladas de lixo, — se alastrava pela capital da época, doenças que matavam milhares de pessoas anualmente, como o vírus da varíola, a peste bubônica e a febre amarela. Todavia, apesar de grandes avanços nos setores de saúde pública, o cenário brasileiro tem apresentado o reaparecimento de doenças erradicadas, expondo a população nacional a essa questão novamente. Nesse viés, observa-se que a problemática reflete um panorama desafiador, seja em virtude de uma lacuna educacional, seja pelo silenciamento midiático.
Primeiramente, é preciso atentar para o desvio educativo sendo um forte empecilho à consolidação de uma solução. Segundo o filósofo francês Émile Durkhein, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Nessa perspectiva, vale ressaltar que a pedagogia mostra com a ideia do educador Paulo Freire, que a educação muda as pessoas, e essas, transformam o mundo. Dessa forma, em analogia com a problemática, os discursos dos estudiosos se complementam, ressaltando que sem o aprendizado do cenário em que vivem, a população brasileira não tem conhecimento para mudar suas atitudes. Assim, contribui no ressurgimentos de doenças reemergentes, ficando desprotegida e exposta à contágios.
Além disso, uma outra dificuldade enfrentada é a questão da má influência midiática, uma vez que os meios de comunicação não abrangem o problema. Segundo o teórico social, Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Ademais, em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, da Organização Pan-Americana de Saúde, entretanto, de acordo com pesquisas do Ministério da Saúde, dois anos depois, o país registrou um surto da doença com mais de 10 mil casos confirmados. Diante disso, nota-se uma omissão em torno de informações sobre o ressurgimento de enfermidades, o que contribui no acréscimo da falta de conhecimento da nação sobre prevenções, tornando sua resolução mais dificultada.
Dessarte, é nítido que o problema do reaparecimento de doenças precisa de uma solução pontual, porém esse processo apresenta alguns gargalos, tais como, a falha educacional e a omissão midiática. Logo, é necessário que o Ministério da Saúde promova, por meio de verbas governamentais, campanhas e palestras com profissionais da área, em instituições de ensino e em eventos públicos, — de maneira que conscientize a população a buscar por medidas seguras, — prevenindo a volta de doenças já eliminadas. Ademais, é fundamental que o poder midiático exponha esses eventos na intenção de um maior alcance populacional. Então, talvez, o panorama da Revolta da Vacina não surja novamente.