O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 26/08/2020
A Revolta da Vacina, ocorrida em 1904, foi um motim realizado em virtude da campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, idealizada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz e impulsionada pela crença da população de que a imunização traria efeitos colaterais. De maneira análoga, a sociedade hodierna encontra problemáticas quanto à vacinação no Brasil, visto que com o crescimento de grupos anti-vacinação e com a intensa desigualdade social que permeia o país, muitas doenças já erradicadas passam a reaparecer, contribuindo assim para o agravamento da saúde pública brasileira.
A priori, é fulcral destacar os grupos anti-vacina como grandes catalisadores do ressurgimento de doenças já eliminadas. Sendo assim, de acordo com o sociólogo Max Weber, as crenças de um indivíduo são as principais fomentadoras de mudanças sociais e, portanto, podem alterar estruturas socioeconômicas. Logo, infere-se que as concepções desses grupos que se negam à prevenção de patologias são responsáveis por debilitar o sistema de saúde do país e de acordo com o médico Drauzio Varella, esses movimentos são ‘‘criminosos’’, por contribuírem para a morte de muitas pessoas e para a disseminação de doenças já erradicadas.
A posteriori, é imperativo pontuar a desigualdade social vigente no país como um dos principais fatores estimulantes ao problema. De tal maneira, segundo o filósofo contratualista John Locke, o Estado é responsável por garantir os direitos inalienáveis ao homem, por meio de um contrato social. De mesmo modo, a desigualdade social que circunda o Brasil se configura como exacerbada e o fato de o Estado não conceder os direitos básicos a totalidade da população corrobora para um difícil acesso a postos de saúde e de vacinação. Ademais, a negligência do governo quanto à cobertura imunitária se mostra vigente, principalmente no que tange à elaboração de campanhas para essas doenças que já foram erradicadas, como nos mostram os dados do Ministério da Saúde que apontam uma queda abrupta de 10% na cobertura contra a poliomelite dos anos de 2012 para 2018.
Em síntese, é de vital importância que se combata a reincidência dessas doenças, como a poliomelite. Para tal, urge que o Programa Nacional de Imunização, em consonância com escolas e instituições privadas, elabore campanhas imunitárias para o combate à tais doenças reincidentes, a fim de ultrapassar as barreiras impostas pelas mazelas das desigualdades, combatendo as problemáticas da vacinação. Ademais, torna-se necessária a atuação do Ministério da Educação, por meio da elaboração de campanhas televisas e radialistas, com o propósito de conscientizar a população sobre as importâncias da imunização e combater o surgimento de grupos anti-vacina. Só assim, ter-se-á uma sociedade próxima da qual Locke propunha.