O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 22/10/2020
O menino é o pai do homem
O mundo do século XIV não era globalizado como o atual, mas entre um navio e outro foi capaz de propagar a pandemia da peste bubônica. Partindo dessa máxima, a proliferação de uma doença em níveis globais é uma realidade ainda mais eminente nos dias de hoje. Em decorrência disso, crianças não vacinadas consagram-se não só como alvos fáceis de muitas enfermidades, mas também como vetores para outras outrora erradicadas.
Diante desse cenário, a Organização das Nações Unidas declarou que as epidemias do século XXI estão estreitamente relacionadas com a quebra de fronteiras - marca emblemática da globalização. Dessa forma, segundo os dados do Ministério da Saúde, o ressurgimento de uma doença em qualquer região do planeta é um sério agravante á saúde pública, uma vez que a mesma poderá apresentar mutações genéticas favoráveis a sua disseminação em escala mundial. Sobre essa questão, no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz apontou que a principal causa para o reaparecimento de doenças como o sarampo ou a poliomielite é a recusa a vacinas que por lei são obrigatórias.
Tendo em vista tal problemática, o Estatuto da Criança e do Adolescente explicita em seu artigo a obrigatoriedade da vacinação dos jovens brasileiros nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias, uma vez que existe uma agenda básica de vacinação e a criança tem direito á saúde e á vida. Desse modo, de acordo o promotor de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, os pais e responsáveis legais que descumprem essa lei estão pondo em risco não só a saúde dos seus filhos, mas também de toda comunidade.
Destarte, o primeiro passo para modificar essa realidade consiste em conhecê-la. Á luz dessa análise, faz-se necessária a criação e execução, por parte do Legislativo e do Governo Federal, de políticas públicas que visem não só promover campanhas de vacinação, mas sobretudo tratar da importância delas diante da sociedade. Atrelado a isso, é dever da mídia, por seu poder de influência, divulgar propagandas e fóruns de discussão acerca da gravidade do problema da não vacinação infantil no Brasil. Só assim, tendo em vista que, segundo Machado de Assis, o menino é o pai do homem, a criança que é a construtora da sociedade futura, terá os seus direitos á saúde e á vida plenamente efetivados por uma nação “Mãe Gentil”.