O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 29/08/2020
No final do século XIX, a cólera foi considerada erradicada no Brasil, contudo, em 1991, ela reemergiu no país infectando milhares e causando mortes. Sob esse viés, é possível perceber que isso também tem acontecido com outras doenças, como o sarampo e a H1N1, e que todas tem tratamento e medidas de prevenção, mas continuam a ser mazelas na sociedade. Assim, outros fatores fazem essa realidade: a pouca higiene em algumas regiões do país, criando um ambiente propício para infecções como cólera, e o descrédito que a vacinação recebe de uma parcela da população, abrindo espaço para reincidências.
De fato, condições de saneamento básico não é comum para todos no Brasil, assim criando terrenos de propagação de bactérias. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2018, apenas 66% das casas tem acesso a coleta de esgoto. Dessa forma, milhares de brasileiros sofrem alto risco de se contaminarem com dejetos e outras substâncias que correm nas fossas ao ar livre, além de atrair animais que podem ser vetores de enfermidades e potencializar-las. Então, essa situação resulta na persistência de diversas mazelas e mortes que poderiam ser evitadas.
Ademais, recentemente, o movimento anti-vacina vêm expandindo-se, mais indivíduos estão acreditando que as substâncias aplicadas podem causar condições, como o autismo. De acordo com Pablo Neruda: “você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”. Sob essa perspectiva, esse grupo que se mobiliza contra a imunização, exerce sua liberdade em acreditar em uma mentira, mas seus efeitos vão além dessa bolha social e acabam vulnerabilizando a população e implicando o reaparecimento de doenças graves, custando milhares de vidas.
Portanto, a reemergência de enfermidades é uma realidade que se apoia nas falhas da sociedade. Desse modo, para reverter essa situação, é necessário que o Governo promova, efetivamente, o saneamento básico para todos por meio do encanamento do esgoto, principalmente em zonas críticas que apresentam altas taxas de contaminação pela água suja, então prevenindo o aparecimento de doenças que tem como estopim essa falta de higienização. Além disso, a mídia precisa conscientizar a população sobre a importância das vacinas por meio de propagandas em larga escala, com o fim de promover a campanha de imunização.