O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/09/2020

Conhecida como “Cidadã”, por ter sido concebida no processo de redemocratização, a Constituição Federal foi promulgada em 1988 com a promessa de assegurar os direitos de todos os brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que o reaparecimento de doenças erradicadas configura-se como uma falha no princípio da isonomia. Sendo assim, percebe-se que esse problema possui raízes amargas no país, devido ao descaso governamental em relação ao saneamento básico e à falta de comprometimento da sociedade.

Deve-se destacar, de início, que o Poder Público não executa seu papel como agente fornecedor de direitos mínimos. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar dos cidadãos. Sob tal ótica, observa-se, no Brasil, que o ressurgimento de doenças rompe com as defesas do filósofo iluminista, visto que as classes mais baixas vivem na precariedade e vulneráveis a doenças infecciosas, o que contribui para uma anomia na sociedade brasileira. Por conseguinte, essa deficiência social leva à perda da boa convivência, uma vez que as enfermidades atingem todos os indivíduos.

Outrossim, vale ressaltar que a irresponsabilidade das pessoas corrobora para essa problemática. Nessa perspectiva, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, em 2018, cerca de 23% da população não vacinaram contra o sarampo e a poliomielite. Essa realidade torna-se evidente, já que a formulação de identidade dos brasileiros baseia-se nas gerações antecessoras, as quais são de extremo conservadorismo, posto que seguem preceitos arcaicos e religiosos. Desse modo, é notório que essa atitude tem semelhança com a “Revolta da Vacina”, que ocorreu no século XX, a qual milhares de populares recusaram a campanha da vacinação obrigatória, o que ocasionou a volta de diversas doenças já erradicadas. Logo, é preciso uma intervenção para que essa questão seja modificada.              Portanto, para que haja uma erradicação definitiva dessas doenças, é imprescindível esforço coletivo entre as comunidades e o Estado. Nessa lógica, cabe ao Governo Federal, em parceria com empresas privadas, incorporar programas de saneamentos básicos nos locais periféricos e precários, por meio de verbas governamentais, com o intuito de assegurar toda a população dessas doenças. Ademais, o Ministério da educação, juntamente com instituições midiáticas, deve propor uma reeducação sociocultural, mediante campanhas educacionais, em jornais, redes sociais e palestras nas escolas, para a conscientização da sociedade brasileira, principalmente jovens e crianças. Por fim, será possível caminhar para o bem-estar de toda a população.