O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 18/09/2020
Na obra “Utopia” do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se na ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que é perceptível na realidade contemporânea atual é antagônico ao que o autor prega, uma vez que, o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, configura um agravante social. Ao se avaliar a ocorrência de tamanha adversidade vê-se as políticas antivacinas e o descaso governamental. Desse modo, é necessário que o Estado, atue de maneira engajada no sentido de evidenciar as causas e de propor as soluções à atual conjuntura.
É indubitável pontuar, inicialmente, que o aparecimento de doenças já erradicadas no país derivam dos movimentos antivacinas, o que acarreta consequências negativas ao meio social. Sob esse viés, conforme a Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Nesse contexto, informações impostas sobre os malefícios das vacinas, desencadeadas principalmente da propagação de notícias falsas, induz a manipulação das condutas tomadas por uma parcela da população e sendo reproduzidas por gerações, o que culmina a diminuição da porcentagem de vacinados. Tal fato, comprova-se através dos dados publicados pelo Ministério da Saúde, em 2017, que demonstra o índice de vacinação no país atingiu o menor nível nos últimos 16 anos. Logo, doenças erradicadas, como o sarampo, retornaram à população.
Outrossim, é imprescindível ressaltar que o descumprimento governamental com a saúde pública no Brasil, configura como fator determinante ao aparecimento de doenças reemergentes. Tendo em vista que, de acordo com o consultor do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Funcia, o orçamento de saúde perdeu 20 milhões de reais em 2019 por motivo da Emenda do Teto de Gastos. Dessa forma, com menores investimentos nessa área, financiamentos para programas de vacinação, acesso as unidades básicas, hospitais, verbas para pesquisas e prevenções ficam comprometidos. Dessa maneira, essa concepção intransigente denota a tomada de soluções quanto a essa patologia social.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço de tal problemática no país. Para tal, o Ministério da Saúde deve promover campanhas midiáticas, com a participação dos profissionais de saúde através das redes televisas, jornais e redes sociais, que enfatizem a importância da vacinação, bem como, desmistificar o pensamento do senso comum que a vacina produz efeitos negativos à vida humana, com o fito de evitar o surgimento e a propagação dos movimentos antivacinas. Assim, teremos uma sociedade semelhante a descrita na obra " Utopia".