O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 27/09/2020

Em 1904 o Rio de Janeiro foi pouco da “Revolta da Vacina”, um movimento popular que se opunha a vacinação contra a varíola. Com o passar dos anos, observou-se  que esse ato proporcionou melhoras significativas na saúde dos indivíduos e a erradicação de diversas doenças. No entanto, algumas patologias ressurgiram no território nacional, voltando a assolar a população. Esse cenário antagônico é fruto da ineficaz ação governamental nas fronteiras do país e das crescentes campanhas anti-vacina. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Mormente, é fulcral pontuar que o retorno de doenças como o sarampo deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman “tudo o que fazemos ou deixamos de fazer impacta na vida de todos, e tudo o que as pessoas fazem ou se privam de fazer afetam nossas vidas. De maneira análoga, a falta de atuação dos órgãos competentes na construção e manutenção de barreiras sanitárias nas fronteiras, propicia a entrada de diversas enfermidades. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatual de forma urgente.

Outrossim, é imprescindível apontar que o retorno dessas afecções, também, é ocasionado pela baixa procura por imunização nas Unidades Básicas de Saúde. De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o movimento anti-vacina é uma das dez ameaças para a saúde. Logo, a própria sociedade é posta como contribuinte para o aumento do adoecimento populacional, uma vez que é responsável pela criação e expansão desses ideais, os quais são dispositivos de alienação que coloca em risco a saúde mundial.

Depreende-se, portanto, a necessidade de soluções para sanar a problemática. Em princípio, é indispensável que o Tribunal de Contas da União, por meio de um projeto de lei introduzindo na câmara do Senado, direcione capital ao Ministério da Saúde para a criação de barreiras sanitárias nas fronteiras do Brasil, objetivando evitar a entrada de novas e antigas patologias no território. Ademais, é crucial que a mídia, importante formadora de opinião, introduza esse debate dentro dos lares, por meio de propagandas, com o intuito de mobilizar a população a participar da resolubilidade  do impasse. Somente assim, o ideal iniciado com a primeira campanha de vacinação será alcançado.