O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 13/10/2020
O surto de febre amarela — uma doença considerada erradicada do Brasil — ocorrido no final de 2016 no sudeste do país, junto a outros casos semelhantes, evidenciou o risco real de reaparecimento de doenças extinguidas do território nacional. Dentre tantos fatores relevantes, destacam-se: as “fake news” e baixa imunidade apresentada pela sociedade contemporânea. Bem como, faz-se necessário analisar esses fatores de modo a mitigar tais entraves que afetam a saúde pública.
Primeiramente, em consequência da predominância de hábitos prejudiciais à saúde — como a má alimentação e a negligência do sono — no cotidiano da população, deu-se uma sociedade permeada pelo déficit imune. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade líquida”, destaca uma sociedade pós-moderna marcada pela velocidade das transformações sociais. Dessa forma, a população não consegue se adaptar devidamente ao rápido fluxo de mudanças, resultando na perpetuação de hábitos ruins que geram estresse e, consequentemente, abaixam a imunidade. Entende-se que, a baixa média de imunidade apresentada pela população agrava os riscos oriundos da volta de contaminações já erradicadas.
Por outro lado, de acordo com a Organização Mundial de Saúde um em cada cinco recém nascidos não estão sendo vacinados, acabam contraindo doenças que poderiam ter sido prevenidas. Nesse contexto, alimentados pela desinformação, os movimentos antivacinas vêm contribuindo para a queda do índice de pessoas vacinadas. Similarmente, a Revolta da Vacina — movimento popular ocorrido em 1904 que combateu a vacinação obrigatória da varíola imposta pelo sanitarista Oswaldo Cruz — teve como uma de suas motivações, notícias falsas de que as vacinas teriam o real intuito de matar os pobres. Depreende-se que, a desinformação prejudica as campanhas de vacinação, colabora para a propagação de doenças que deveriam permanecer eliminadas e, por tudo isso, deve ser combatida.
Verifica-se, então, a necessidade de implantar medidas que possam mudar esse quadro. Para isso, o Governo tem que investir na conscientização da população por meio de campanhas informativas — com vídeos, animações, depoimento de infectados e participação de especialistas — veiculadas em todos os meios de comunicações online e off-line, visando tornar conhecido a importância de ações preventivas contra doenças. De modo a diminuir o número de adeptos do movimento antivacina e aumentar o índice de imunizados. Feito isso, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade brasileira ausentada do reaparecimento de doenças erradicadas.