O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 23/10/2020
O sarampo é uma doença que, em 2016, foi considerada erradicada no Brasil pela Organização Pan-Americana de Saúde. Porém, em 2018, foram notificados mais de dez mil casos confirmados e doze mortes, registrando um novo surto da patologia. Desse modo, aumenta a preocupação relacionada ao reaparecimento de diversas outras enfermidades, que foram anteriormente erradicadas, como a varíola e a rubéola. O negacionismo, juntamente com movimentos antivacina, e a precária qualidade de infraestrutura ao redor do território nacional são problemas que auxiliam na ascensão de novos índices.
Recentemente, o movimento antivacinação foi incluído pela OMS (Organização Mundial da Saúde) na lista dos dez maiores riscos à saúde no mundo. Tal oposição possui forte influência nos índices de vacinação, pois não apenas desconsidera os estudos feitos para a proteção de diversas patologias, como também propaga, ao redor do globo, ondas de “fake news” e desinformação. Sócrates afirmava que “existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância”, corroborando ao fato de que a disseminação de informações é um grande mal presente na sociedade.
Concomitantemente, com esse problema, a falta de infraestrutura em algumas regiões brasileiras é outro fator que torna favorável o reaparecimento de doenças. Uma pesquisa realizada pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), em 2016, constatou que 51,9% da população brasileira não possui acesso à coleta de esgoto. Segundo o Instituto de Estudos para Política de Saúde (IEPS), no SUS (Sistema Único de Saúde), em 2020, 72% das regiões de saúde do país, o número de leitos de UTI por 100 mil habitantes é inferior ao número necessário. Defasagens como essas acentuam o alarde acerca da volta de doenças já erradicadas e novas patologias que podem surgir, pois diminuem o potencial de ação dos agentes públicos.
Por isso, torna-se urgente uma atitude proveniente dos órgãos públicos, a fim de garantir um maior controle frente ao reaparecimento de enfermidades previamente erradicadas. Para realizar esse objetivo, o Ministério da Saúde deve providenciar propagandas televisivas que demonstrem os benefícios das vacinas e alertem sobre a desinformação propagada por terceiros, para então, proporcionar, de modo transparente, mais confiança à população. Do mesmo modo, o Estado deve amenizar os problemas de infraestrutura presentes no território brasileiro, por meio da realização de parcerias público-privadas (PPS), a fim de diminuir possíveis espaços propícios para a disseminação de doenças. Assim constrói-se um país mais sadio e consciente.